SANDOVAL CARDOSO SURGE EM 2º NA LISTA DOS MILIONÁRIOS QUE FICARAM RICOS COM A POLÍTICA

Candidatos milionários multiplicam patrimônio com investimento em terras
O GLOBO identificou aumentos superiores a 100% nos bens de oito candidatos a governos estaduais
POR CLEIDE CARVALHO
15/09/2014 12:29 / ATUALIZADO 15/09/2014 12:39
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SÃO PAULO — Terras, urbanas ou rurais, engordam o patrimônio de políticos país afora. Entre os candidatos milionários que disputam governos estaduais, alguns conseguiram, em quatro anos, mais que dobrar o patrimônio declarado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apesar da dedicação política. Na maioria dos casos, investiram na compra de fazendas ou de terrenos e imóveis em áreas de expansão imobiliária. Apesar da dedicação política, o desempenho financeiro é invejável. Com base nas informações do TSE, O GLOBO identificou aumentos superiores a 100% no patrimônio de oito candidatos. À exceção de Jorge Amanajás, do Amapá, todos os demais aparecem em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto em seus respectivos estados. Ou seja, têm chances de governar seus estados pelos próximos quatro anos.

O que mais chama atenção pelo valor são os bens do senador Eunício Oliveira, do PMDB, candidato a governador do Ceará. Seu negócio mais antigo é a sociedade em empresa de transporte de valores em Brasília. Elegeu-se pela primeira vez em 1998 como deputado federal. Foi ministro das Comunicações no governo Lula e, em 2010, foi eleito senador. Nos últimos quatro anos, seu patrimônio aumentou 169%. Passou de R$ 36,7 milhões para R$ 99,022 milhões – R$ 62,2 milhões a mais. Na declaração de bens de 2010 ele tinha 72 propriedades rurais, agora tem 88. A maioria delas fica fora do Ceará, no município de Corumbá de Goias, à beira da Serra dos Pirineus, divisor de águas das bacias Amazonas e do Prata. Ali já teve ouro. Hoje, o bem mais precioso é a água. A apenas 130 km de Brasília, o município abriga parte do Parque Estadual dos Pirineus (PEP). De acordo com a assessoria do senador, os investimentos em terras são para criação de gado e soja. Sua declaração aponta para um investimento de R$ 5,094 milhões na compra de rebanho.

Sandoval Cardoso, do PSD de Tocantins, também teve desempenho espetacular no mundo dos negócios rurais. Ao mesmo tempo em que conduziu a Assembleia Legislativa do estado e concluiu o Ensino Médio – tinha apenas o Fundamental Completo em 2010 – ele aumentou seu patrimônio de R$ 2,483 milhões para R$ 14,172 milhões. Sua fortuna está calcada em terras e gado. Em 2010, ele tinha terras nuas num total de 2.267 hectares, onde pastavam 1.988 cabeças de gado. Declarou ainda um consórcio não contemplado e um Ourocap de R$ 136. Agora, tem 7.203 cabeças de gado em seus mais de 5.781 hectares de terras, uma BMW e R$ 460 mil declarados em dinheiro vivo.

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No Amapá, o professor Jorge Amanajas, do PPS, fez seu patrimônio de R$ 607,7 milhões saltar para R$ 3,518 milhões em quatro anos. Tem hoje quase cinco vezes mais do que tinha em 2010. Filho de agricultores, durante 21 anos lecionou em cursinhos. Eleito pela primeira vez em 1998, tem entre seus feitos ter criado um cursinho pré-vestibular gratuito e ter concedido título de cidadão do Amapá ao ministro Teori Zavascki, hoje no Supremo Tribunal Federal.

Em 2010, seu bem mais vistoso eram lotes urbanos declarados por R$ 318 mil. Ele incluiu ainda na lista um Ourocap de R$ 986,69 e um consórcio de eletrônico não contemplado, cujo valor era R$ 102,84. Nos últimos quatro anos, sua vida mudou. Amanajas se tornou sócio da Rios Linhas Fluviais da Amazônia e de uma empresa de construção – que não apareciam na declaração de bens de 2010 – além de ter investido no mercado imobiliário urbano. Na eleição de 2010, ele também disputou o governo do Amapá, mas se viu envolvido num escândalo de corrupção na Assembleia Legislativa do estado e chegou a ser levado à força pela Polícia Federal para depor. A repercussão negativa o fez perder votos e ficar fora do segundo turno.

No Rio Grande do Norte, é a expansão imobiliária aumenta o patrimônio do candidato Robinson Faria, do PSD. O valor de seus bens cresceu 124% e passou de R$ 3,7 milhões para R$ 8,333 milhões. O dinheiro novo surgiu aplicado em apartamentos e terrenos na Região Metropolitana de Natal. Entre os mais valiosos empreendimentos estão 31 apartamentos no residencial Jangada, em Parnamirim (RN), e terras no interior do estado

Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, foi ainda mais rápido. Em 2010, seus bens declarados ao TSE somavam R$ 1.637.136,72. Chegou a R$ 3,182 milhões em 31 de dezembro de 2011, um ano após tomar posse no governo do estado – o valor foi divulgado pela imprensa após investigações em torno da venda de uma mansão ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Na eleição deste ano, Perillo declarou ter patrimônio de R$ 3,781 milhões. O governador de Goias tem cerca de R$ 1,2 milhão apenas de investimentos em búfalos, cavalos e ovelhas.

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O senador Lobão Filho, filho do ministro Edison Lobão e candidato pelo PMDB no Maranhão, também vai bem no mundo dos negócios. Entre 2010 e 2014 seu patrimônio passou de R$ 2,57 milhões para R$ 9,881 milhões. Em 2010, seus bens de maior valor eram dois terrenos o bairro Cohafuma, em São Luis, no valor de R$ 604 mil. Agora, seu bem de maior valor é uma área foreira, que declarou ter comprado do Bradesco por R$ 1,2 milhão e ter pago pouco mais da metade. Área foreira é área da União, com posse dada a terceiros.

A área de Lobão está na gleba Tibiri-Pedreiras onde, até 2011, 300 mil pessoas do distrito industrial de São Luis brigavam para conseguir não pagar a taxa cobrada por aforamento. Lobão também investe em áreas de conflito. Ele adquiriu 90 mil metros quadrados de terras no município de Barra do Corda, onde madeireiros e índios vivem em pé de guerra devido a invasão de terras indígenas por desmatadores. No mesmo município, comprou ainda um terreno dentro de um projeto de colonização, por apenas R$ 345,40. Filho do ministro das Minas e Energia, Lobão também investiu em participação em pequenas mineradoras.

O empresário e já rico Henrique Alves (PMDB), candidato no Rio Grande do Norte e presidente da Câmara dos Deputados, também dobrou sua fortuna. Ela passou de R$ 5.584.304,96 para R$ 12.284.019,98 – 119% a mais. Dono de participações em jornal, rádio e tevê no estado, ele ampliou sua atuação no ramo das comunicações dois anos atrás com a compra de participação na TV Costa Branca, declarada por R$ 2,010 milhões. Seu principal investimento foi em terras, a maioria delas urbanas, perto de Natal, como apartamento e prédio em Natal e loteamentos e terrenos em Barra do Rio Extremoz.

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