Investigação contra Lula pode ser ‘exemplo para mundo’

Investigação contra Lula pode ser ‘exemplo para mundo’

  • Há 7 horas

Lula em foto foto de março (AFP)
Investigação apura se ex-presidente praticou tráfico de influência em favor da Odebrecht

A abertura de uma investigação no Ministério Público Federal do Distrito Federal para apurar se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva praticou tráfico de influência após ter deixado o governo quase não encontra paralelo em outros países, o que demonstra como o relacionamento entre ex-líderes e grandes empresas se situa numa zona legal cinzenta, dizem especialistas em corrupção ouvidos pela BBC Brasil.

A investigação refere-se à suposta atuação de Lula em favor da construtora Odebrecht em contratos internacionais financiados pelo BNDES. O Instituto Lula, do ex-presidente, nega haver irregularidades em suas atividades.

Alejandro Salas, diretor de Américas da Transparência Internacional, disse que o fato de o Brasil ser uma das maiores economias mundiais, ter destaque na comunidade internacional e de Lula ser personalidade importante podem fazer com que a investigação sirva de modelo.

“Seria um enorme exemplo para o mundo. Pode realmente ser o começo de novas regulações e controles”, disse ele à BBC Brasil.

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“Há sempre um problema no fato de um ex-presidente usar seus contatos, seu poder, para ajudar determinados interesses, isso em si já traz implicações éticas.”

Segundo o cientista político Michael Johnston, professor da Colgate University, em Nova York, a investigação é “incomum”, mas pode servir de modelo.

“O Brasil é observado muito atentamente, e estamos falando de um personagem muito poderoso e de uma investigação que ocorre em um momento crucial no desenvolvimento do país”, diz.

“Não quero julgar as alegações contra Lula, mas (a investigação) pode servir como uma lição para outros investigadores ao redor do mundo.”

“É muito incomum o fato de haver uma investigação… Na maioria dos casos, ex-líderes são investigados por atos cometidos enquanto estavam no poder, mas não por ações após deixarem o cargo.”

Além desta investigação, a Odebrecht – a maior construtora do Brasil – é alvo da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção na Petrobras.

O presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, está preso e foi denunciado à Justiça por crimes que teriam sido cometidos contra a estatal. A defesa nega que ele tenha participado das irregularidades.

“Mas a diferença no caso de Lula, caso a investigação prove que é culpado, é que não está apenas fazendo isso, mas está fazendo isso para apoiar empresas corruptas a fazerem negócios corruptos”, disse Salas, da Transparência Internacional.

‘Comportamento comum’

O fato de não provocarem investigações formais não significa que as relações entre ex-líderes e grandes empresas sejam incomuns ou isentas de polêmica.

“É um comportamento muito comum entre ex-chefes de Estado”, disse David Rothkopf, editor da revista Foreign Policy e autor de livros sobre as relações entre empresas e governos.

Bill Clinton deu palestras para empresas e acompanhou líderes de empresas a outras partes do mundo

Ele cita o ex-chanceler alemão Gerhard Schröder, cuja atuação na empresa de energia russa Gazprom após deixar o governo foi alvo de controvérsia.

Outro exemplo é o ex-presidente americano Bill Clinton e sua Clinton Global Initiative. A polêmica em torno das ações de Clinton é agravada pelo fato de sua mulher, Hillary, ter atuado como secretária de Estado e atualmente ser a favorita democrata na corrida presidencial americana.

“Ele deu palestras para empresas e acompanhou líderes de empresas a outras partes do mundo onde sua influência pode ter ajudado essas empresas a fecharem negócios”, observa Rothkopf.

O ex­-primeiro-ministro britânico Tony Blair também gerou controvérsia por suas ligações com empresas e negócios com governos do Oriente Médio enquanto era enviado especial do Quarteto – grupo formado por ONU, União Europeia, Estados Unidos e Rússia para mediar o conflito entre Israel e Palestina.

“A questão é se estão fazendo algo ilegal ou antiético. E isso deve ser determinado caso a caso, com base nas leis de cada país”, diz Rothkopf.

Leia mais: O capitalismo de Estado ‘à brasileira’ fracassou?

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Para Johnston, há uma certa noção de que ter ocupado um cargo público deve servir como um bilhete para enriquecer.

“Parece haver um tipo de elite internacional que acha que tem o direito de enriquecer depois de deixar seus cargos no governo”, critica Johnston.

“É ético? Muito do que ocorre não passaria no teste de percepção. Essas pessoas devem cair na obscuridade após deixar o poder? Não, elas têm experiência e conhecimentos valiosos. Devem monetizar esses ativos que lhes foram conferidos pelo povo? Acho que não.”

“Quando deixam o poder, entram nesse tipo de terreno parte público, parte privado de transações internacionais, onde não há regras claras. Qual a diferença entre suborno, taxa de consulta ou contribuição? Pode ser difícil definir.”

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Com baixa popularidade, Dilma pede ‘diálogo com sociedade’

Com baixa popularidade, Dilma pede ‘diálogo com sociedade’

MARINA DIAS
FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

28/07/2015 18h09

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Com perfil centralizador e sob críticas de que governa com pouco diálogo e participação de aliados, a presidente Dilma Rousseff lançou nesta terça-feira (28) o “Dialoga Brasil”, plataforma digital interativa elaborada pelo governo para que pessoas possam dar opiniões e sugerir programas para o Palácio do Planalto.

Ao lado de nove ministros e de uma claque simpática à petista, Dilma tentou desfazer a fama de que é refratária às contribuições e disse que “é muito difícil governar um país da dimensão do Brasil sem ouvir as pessoas”.

Segundo a presidente, para melhorar o seu governo é preciso fechar “uma parceria com a sociedade”.

“O que dá para melhorar no que estamos fazendo? O que a gente deve introduzir nesses [programas] em vias de fazer? E o que é possível fazer que ainda não vimos? Esses três eixos são a estrutura do ‘Dialoga Brasil’. É isso que nós queremos saber”, afirmou em fala descontraída e feita de improviso, o que geralmente causa embaraços à presidente.

O objetivo do portal é que, através de um cadastro ou utilizando os dados de sua conta no Facebook ou Google, as pessoas possam dar sugestões sobre quatro temas –saúde, segurança pública, educação e redução da pobreza. Até novembro, essas propostas serão debatidas e poderão ser votadas. As três mais populares em cada programa serão respondidas pelo governo.

A presidente afirmou que “todos os 14 programas do governo federal” devem ser debatidos no novo canal e que muitos deles, como o Mais Médicos, o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, vitrines da gestão petista, foram feitos “em um processo de discussão social”.

Responsável pela elaboração do portal, o ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) disse que o projeto vai “ampliar os espaços de participação e de diálogo”. “Queremos que todo cidadão brasileiro, do menor ao maior município do país possa ter um canal direto de participação com o governo federal”, afirmou.

Em seu discurso, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) defendeu três aspectos da segurança pública: maior integração entre União, Estados e municípios; maior participação da União –hoje restrita basicamente à Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal– e melhor gestão em um período de ajuste fiscal do governo. “Às vezes se compra um helicóptero quando não te um piloto para pilotar”, comentou.

Apesar da tentativa de entrar em uma agenda positiva e reduzir os desgastes da crise política e econômica ao Planalto, Cardozo reconheceu os indicadores negativos do país no tema da segurança. “Lamentavelmente, o Brasil é um dos países mais violentos do mundo”.

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, por sua vez, arrancou palmas da plateia ao citar a taxa “vergonhosa”, segundo ele, de cesáreas na rede privada (84%) e no SUS (40%). “Está muito ruim”, afirmou. O titular da pasta defendeu ainda o Mais Médicos e o Mais Especialidade, uma das bandeiras de Dilma na saúde na última campanha presidencial.

A intenção é dar prioridade ao atendimento da população em três áreas prioritárias, disse o ministro: oftalmologia, cardiologia e ortopedia.

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Ao lado do ministro do Esporte, Amastha publica edital de licitação do BRT; abertura das propostas está prevista para 20 de outubro

Ao lado do ministro do Esporte, Amastha publica edital de licitação do BRT; abertura das propostas está prevista para 20 de outubro

Prefeito pretende assinar ordem de serviço para ínicio das obras até o fim do ano

Luís Gomes
Da Redação
A Prefeitura de Palmas anunciou a publicação do aviso de licitação do BRT (Bus Rapid Transit – Transporte Rápido por Ônibus) em coletiva de imprensa realizada na tarde desta terça-feira, 28. A modalidade será a de Regime Diferenciado de Contratação (RDC). O evento contou com presença do ministro do Esporte, George Hilton, que visitou a Capital para vistoriar obras dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMI), além do secretariado municipal.

De acordo com o prefeito Carlos Amastha (PSB), está previsto para o dia 20 de outubro, às 9 horas, a abertura das propostas. A intenção do chefe do Executivo é dar a ordem de serviço ainda em 2015. Assim que for assinada, a estimativa para a realização das obras é de 48 meses. “Finalmente o processo está na rua, com os recursos garantidos e separados para a execução do BRT”, exaltou.

Foto: Luís Gomes/CT/ 28.07.2015
Após assinatura da ordem de serviço, obras devem ser finalizadas em 48 meses

O regime de execução dos serviços será de contratação integrada, que envolve desde o desenvolvimento dos projetos básicos e executivos quanto à execução das obras e serviços, devendo a empresa vencedora entregar os objetos em perfeitas condições de uso e funcionamento, segundo informa a administração municipal. Neste regime, aditivos contratuais somente são permitidos no caso de fortuito ou força maior ou alteração de projetos por parte da Prefeitura de Palmas.

Legalidade
Carlos Amastha exaltou a importância da obra e se mostrou preocupado com o trâmite da licitação e da execução do BRT. “Nós temos tomado todos os cuidados. Para ter uma ideia, a gente confiou ao Ministério Público Federal e à Polícia Feral todos os processos, para que vão investigando, pois se houver uma denúncia – o que certamente vai haver – que seja apurada, sejam feitas as recomendações à prefeitura, para que a gente não erre”, disse o prefeito, que acrescentou: “Nós não podemos correr o risco de que haja questionamentos quanto à lisura deste processo”.

Impactados
Sobre as famílias impactadas pelas obras do BRT, o prefeito disse ser “impossível que todo mundo fique satisfeito”. De acordo com o chefe do Executivo, são 98 famílias que ainda negociam a indenização da desapropriação. Entretanto, Carlos Amastha garantiu que o município nunca realizaria a obra “em detrimento a algumas famílias”. “Não há apenas a questão da desapropriação e do pagamento, mas do plano social de reinserção, para que essas famílias além de serem retribuídas economicamente, também tenham projeto de reinserção, que não ocasione para elas nenhum problema futuro de vida”, acrescentou. A prefeitura realiza nesta semana mais dois atendimentos aos moradores das regiões que serão atingidas.

Jogos Mundiais Indígenas
Com a presença do ministro do Esporte, George Hilton (PRB), Carlos Amastha também comentou sobre os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMI). O prefeito destacou que a visita do representante do governo federal visava vistoriar as obras para o evento e que a agenda acabou batendo com o lançamento do edital de licitação do BRT. “Casualidade”, disse o chefe do Executivo.

Ao lado de George Hilton, o prefeito exaltou a realização do evento e disse que Palmas “respira esporte” e que irá receber “de braços abertos” todas as delegações que vão participar do evento. Carlos Amastha também afirmou que as obras para os Jogos Mundiais Indígenas “não são elefante branco” e destacou o apoio da iniciativa privada. “Tudo que estamos fazendo, a cidade estava precisando faz tempo. As obras não custaram um centavo do povo palmense, porque fomos atrás de patrocinadores privados e conseguimos pelo respeito que temos com as empresas”, disse o chefe do Executivo, acrescentado o governo federal também concedeu recursos.

Ministro
Após as palavras do prefeito, George Hilton aproveitou para elogiar a atuação do governo federal e da presidente Dilma Rousseff (PT), quem segundo ele, “recebe críticas de maneira injusta, que não condizem com a verdade”. “Desde a Copa do Mundo, este país tem passado por transformações enormes na política de mobilidade urbana. Prova evidente que, se houver integração entre os entes federal, estadual e municipal, mesmo em épocas de dificuldades financeira, e possível encontrar soluções e apresentar bons projetos”, afirmou o ministro, que acrescentou: “Palmas será contemplada com uma obra que ficará como grande presente”.

Sobre os Jogos Mundiais Indígenas, o ministro disse que a Capital é “assunto no mundo todo” devido ao evento e garantiu que as obras estão dentro do prazo. “Palmas se prepara para uma grande celebração que acontecerá em outubro. Há uma sinergia de ações entre governo federal, municipal e estadual. Então, eu tenho certeza que será um grande presente que o povo de Palmas receberá: a primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas”, afirmou.

Por fim, o ministro ainda comentou sobre a passagem da tocha olímpica pela cidade. “Vamos percorrer 500 cidades no Brasil e Palmas está incluída, demonstrando que apesar do evento ser na cidade do Rio de Janeiro, ele vai contagiar do povo brasileiro. O Espírito olímpico estará percorrendo o País de norte a sul, de leste a oeste”, concluiu.

OS BANDIDOS DO BRASIL

Lava Jato atribui a almirante da Eletronuclear “crimes de gravidade em série”

De São Paulo e Brasília

28/07/201514h51

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  • Janine Moraes – 6.mai.2010/Câmara dos Deputados

    Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da EletronuclearOthon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear

Ao mandar prender o presidente licenciado da Eletronuclear, almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, e o presidente global da Andrade Gutierrez Energia, Flávio David Barra, na Operação Radioatividade, nesta terça-feira, 28, o juiz federal Sérgio Moro se valeu de relatório da força-tarefa da Lava Jato, segundo a qual os “investigados se associaram para praticar em série crimes de gravidade”.

“A prisão temporária é, nesse período, imprescindível para evitar concertação fraudulenta de versões entre os investigados, garantindo que sejam ouvidos pela autoridade policial separadamente e sem que recebam influências indevidas uns dos outros.”

Moro mandou prender o almirante e o executivo em regime temporário, por cinco dias – prazo que pode ser prorrogado. Em sua decisão, o juiz destaca que o crime de corrupção atribuído ao almirante pela Operação Lava Jato “não tem qualquer relação com atividade militar”. Moro assinala que os fatos sob investigação não são crimes militares, submetidos a processo na Justiça Militar, de acordo com o artigo 9.º do Código Penal Militar.

“Não passa sem atenção o fato de Othon Luiz ser militar da reserva”, escreveu o juiz da Lava Jato. “Apesar do prestígio das Forças Armadas, o fato é que as provas indicam possíveis crimes de corrupção em tempo muito posterior à passagem dele (Othon) para reserva e no exercício de atividade meramente civil. Então, a investigação não tem qualquer relação com atividade militar.”

Othon Luiz foi preso na manhã desta terça-feira, 28, no Rio. O executivo da Andrade Gutierrez também foi preso no Rio. A Radioatividade, 16.ª etapa da Lava Jato, concentra suas forças exclusivamente em contratos das obras da Usina Nuclear de Angra 3.

O presidente licenciado da Eletronuclear teria recebido R$ 4,5 milhões em propinas de um grupo de empreiteiras. As negociações para discutir o valor da corrupção teriam sido conduzidas pelo executivo Flávio Barra, presidente global da Andrade Gutrierrez Energia, que também foi preso pela Polícia Federal nesta terça (28).

Othon Luiz virou alvo da Radioatividade depois que seu nome foi denunciado pelo ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini. Delator da Lava Jato, Avancini revelou a propina para o almirante.

“Dalton dos Santos Avancini, ex-presidente da Camargo Correa, relatou, em acordo de colaboração premiada, acertos para pagamento de propina em licitações e contratos de obras em Angra 3, após a tomada de medidas pela Eletronuclear para restringir a concorrência do certame”, assinalou o juiz Moro.

Para o juiz da Lava Jato, “a adoção da medidas de restrição à concorrência foram confirmadas documentalmente, o que levou ao êxito no certame das empreiteiras Camargo Correa, UTC Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão, Techin e EBE, que formaram o Consórcio Angramon”.

Sérgio Moro avalia existência de “prova relevante de crimes de fraude a licitações, corrupção e lavagem de dinheiro”. Ao mandar prender o presidente licenciado da Eletronuclear e o alto executivo da Andrade Gutierrez, o juiz destacou que “investigados teriam se associado para praticar em série crimes de gravidade”.

“A prisão temporária é, nesse período, imprescindível para evitar concertação fraudulenta de versões entre os investigados, garantindo que sejam ouvidos pela autoridade policial separadamente e sem que recebam influências indevidas uns dos outros.”

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Operação Lava Jato da PF197 fotos

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28.jul.2015 – O presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso nesta terça-feira, recebeu R$ 4,5 milhões em propinas pagas por empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato, segundo o procurador da República Athayde Ribeiro Costa. A declaração foi feita durante entrevista coletiva realizada em Curitiba após a deflagração da 16ª fase da operação Lava Jato Leia mais Janine Moraes – 6.mai.2010/Câmara dos Deputados

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Aliny Gama
Do UOL, em Maceió (AL)

28/07/201518h02

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Trabalhadores em condições análogas à escravidão no Piauí11 fotos

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28.jul.2015 – Fiscalização do MPT (Ministério Público do Trabalho) e do Ministério do Trabalho registrou 130 trabalhadores em situação análoga à escravidão durante a extração da palha da carnaúba, em fazendas da região norte do Piauí; não foi divulgado o nome das fazendas; clique nas fotos acima para ver mais Divulgação/MPT

O Ministério Público do Trabalho (MPT) diz ter encontrado 130 trabalhadores no norte do Piauí em situações degradantes e parecidas com escravidão. Eles dormiam em redes junto a porcos em alojamentos de fazendas que produzem carnaúba em dez cidades do Piauí.

A carnaúba é uma árvore cuja cera é usada na confecção de produtos industrializados, como cosmésticos, alimentos e remédios.

O flagrante ocorreu durante fiscalização do MPT (Ministério Público do Trabalho) e do Ministério do Trabalho entre os dias 20 e 24 deste mês. A atividade desenvolvida é a extração da palha da carnaúba.

O resultado da Operação Projeto Palha Acolhedora foi divulgado nesta terça-feira (28), em Teresina.

Sem carteira e sem higiene

Segundo o MPT, foram encontrados trabalhadores sem alojamento adequado, carteira assinada, equipamentos de proteção individual e sem condições mínimas de higiene, saúde e segurança. Eles ganhavam entre R$ 30 e R$ 60 por dia.

As propriedades rurais ficam nos municípios de Bom Princípio do Piauí, Buriti dos Lopes, Cajueiro da Praia, Caxingó, Caraúbas do Piauí, Cocal da Estação, Ilha Grande, Luís Correia,  Murici dos Portelas e Parnaíba. Apenas em uma localidade, onde 30 pessoas trabalhavam, a situação era regular.

“O cenário que vimos foi de uma indignidade absurda. É inadmissível que uma atividade secular, que emprega cerca de 12 mil trabalhadores no Piauí, ainda trate o ser humano de forma tão degradante, sem lhes garantir direitos, nem mínimas condições de trabalho”, afirmou o procurador do Trabalho José Wellington Soares.

Dormindo com porcos

Em uma das propriedades inspecionadas, localizada próxima à praia do Arrombado, em Luís Correia, foram encontrados quatro adolescentes trabalhando em situação identificada como trabalho infantil.

Segundo o MPT, nesta fazenda, que não teve o nome revelado, os trabalhadores não tinham equipamentos de proteção individual, não havia banheiros disponíveis e os trabalhadores dormiam ao relento ou em um alojamento onde eram criados porcos.

A fiscalização diz ter encontrado ainda recipientes de agrotóxicos sendo reutilizados para armazenamento de água para os trabalhadores beberem.

Em alguns casos, as refeições eram servidas em latas e os trabalhadores comiam sentados no chão, próximos a fezes de animais, relata o MPT.

O MPT diz que recomendou aos arrendatários das propriedades que paralisassem imediatamente as atividades e procurassem o Ministério do Trabalho para regularizar a situação.

O órgão vai instaurar inquéritos civis contra os exploradores das terras os proprietários das fazendas.

POLÍCIA RESGATA ESTRANGEIROS VÍTIMAS DE TRABALHO ESCRAVO EM SP

Marcelo Odebrecht e mais 12 viram réus na operação Lava Jato

Marcelo Odebrecht e mais 12 viram réus na operação Lava Jato

Do UOL, em São Paulo

28/07/201517h41 > Atualizada 28/07/201518h39

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  • Antônio More/Gazeta do Povo – 20.jun.2015 – /Estadão Conteúdo

    O presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros 11 presos da 14ª fase da operação Lava JatoO presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e outros 11 presos da 14ª fase da operação Lava Jato

O juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, aceitou nesta terça-feira (28) a denúncia formal do MPF (Ministério Público Federal) contra o presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e mais 12 citados por crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da operação Lava Jato.

Com a decisão, Marcelo Odebrecht, dono da maior empreiteira do país, é agora réu em ação penal da Lava Jato, que investiga um esquema bilionário de corrupção na Petrobras. Outros citados na decisão de Moro são o doleiro Alberto Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, e o ex-gerente da estatal Pedro Barusco. Os três já estão presos e colaborando com as investigações na forma de delações premiadas.

Marcelo Odebrecht e o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, estão presos preventivamente desde junho e foram denunciados por corrupção, junto com outras 20 pessoas.

Segundo a decisão da Justiça, grandes empreiteiras do Brasil, “especificamente a OAS, Odebrecht, UTC, Camargo Corrêa, Techint, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Promon, MPE, Skanska, Queiroz Galvão, IESA, Engevix, SETAL, GDK e Galvão Engenharia, teriam formado um cartel, através do qual, por ajuste prévio, teriam sistematicamente frustrado as licitações da Petrobras para a contratação de grandes obras, e pagariam sistematicamente propinas a dirigentes da empresa estatal calculadas em percentual sobre o contrato”.

Ainda de acordo com o texto, o ajuste prévio entre as empreiteiras “eliminava a concorrência real das licitações e permitia que elas impusessem o seu preço na contratação, observados apenas os limites máximos admitidos pela Petrobras (de 20% sobre a estimativa de preço da estatal)”.

O MPF oficializou a denúncia na última sexta-feira (24) e pediu o ressarcimento de mais de R$ 7 bilhões aos acusados.

Segundo a denúncia, o grupo Odebrecht teria pago propina a dirigentes da Petrobras em seis obras e contratos com a estatal. Destes, cinco são consórcios que envolvem outras empreiteiras além da Odebrecht na refinaria Presidente Getúlio Vargas, na região metropolitana de Curitiba; na refinaria Abreu e Lima, em Ipojuca (PE); em duas obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro; e para a construção do prédio sede da Petrobras em Vitória.

A sexta menção à Odebrecht foi um esquema no contrato de fornecimento de combustível nafta da Petrobras para a Braskem, empresa controlada pela Odebrecht, especificamente para cobrança de preço inferior ao preço internacional de comercialização. A propina seria na ordem de US$ 5 milhões de dólares por ano de duração do contrato à Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Veja a lista dos 13 réus da Lava Jato da ação penal, além de suas respectivas funções no esquema criminoso:

1) Alberto Youssef, doleiro que teria intermediado o pagamento de propina à Diretoria de Abastecimento da Petrobras;

2) Alexandrino de Salles Ramos de Alencar, então diretor de empresas do Grupo Odebrecht e da Braskem Petroquímica, tido como diretamente responsável pela negociação de propinas nos contratos entre a Braskem e a Petrobras;

3) Bernardo Shiller Freiburghaus, citado como operador financeiro responsável por intermediar o pagamento de propinas no exterior para a Odebrecht;

4) Celso Araripe D’Oliveira, citado como gerente de empreendimento da Petrobrás beneficiário da propina;

5) Cesar Ramos Rocha, diretor de cinco empresas do grupo Odebrecht que estaria envolvido diretamente no repasse dos valores utilizados para pagar as propinas;

6) Eduardo de Oliveira Freitas Filho, representante da empresa Sul Brasil Construções Ltda., que teria repassado a propina do Consórcio OCCH a Celso Araripe;

7) Marcelo Bahia Odebrecht, presidente do grupo Odebrecht que segundo a denúncia estaria envolvido diretamente na prática dos crimes, orientando a atuação dos demais;

8) Márcio Faria da Silva, diretor da Odebrecht Plantas Industriais e Participações, que na época era Diretor da Construtora Norberto Odebrecht. Seria o representante da empresa no cartel das empreiteiras e suposto envolvido no pagamento das propinas;

9) Paulo Roberto Costa, ex-diretor de abastecimento da Petrobras e beneficiário da propina;

10) Paulo Sérgio Boghossian, representante da Odebrecht no consórcio da construção do edifício da Petrobras em Vitória;

11) Pedro José Barusco Filho, ex-gerente de serviços da Petrobras beneficiário da propina;

12) Renato de Souza Duque, ex-diretor de serviços da Petrobras beneficiário da propina;

13) Rogério Santos de Araújo, diretor da Odebrecht Plantas Industriais e Participações, que estaria envolvido como representante da empresa nos contatos com a Petrobrás e seria o responsável direto pelo pagamento das propinas aos dirigentes das empreiteiras.

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28.jul.2015 – O presidente licenciado da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, preso nesta terça-feira, recebeu R$ 4,5 milhões em propinas pagas por empreiteiras investigadas pela operação Lava Jato, segundo o procurador da República Athayde Ribeiro Costa. A declaração foi feita durante entrevista coletiva realizada em Curitiba após a deflagração da 16ª fase da operação Lava Jato Leia mais Janine Moraes – 6.mai.2010/Câmara dos Deputados