Lava-Jato já tem provas para prender Lula. O próprio STF poderá decretar a prisão do petista

Lava-Jato já tem provas para prender Lula. O próprio STF poderá decretar a prisão do petista

stfcadeianele

Ricardo Noblat publicou hoje em sua coluna do Globo que Lula poderá ser preso a qualquer momento

O jornalista afirma em seu artigo que o Ministério Público já levantou provas do envolvimento de Lula em 3 crimes.

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“A operação Lava-Jato já dispõe de indícios e provas suficientes para prender Lula por obstrução da Justiça, ocultação de bens em nomes de terceiros e recebimento de dinheiro por palestras que não fez”.

De acordo com Noblat, apenas uma questão técnica separa Lula da cadeia.

Tanto o STF quanto o juiz Sérgio Moro poderão determinar a prisão do ex-presidente:

“Lula só não foi preso ainda porque o Supremo Tribunal Federal avocou a responsabilidade de decidir o futuro dele, uma vez que Dilma o havia nomeado ministro. Em breve, pode mandar prendê-lo. Ou deixar que o juiz Sérgio Moro o faça”.

Placar do Impeachment no Senado

Placar do Impeachment
no Senado

Levantamento feito pelo ‘Estado’ publica diariamente as intenções declaradas de voto dos senadores em relação à abertura de processo por crime de responsabilidade contra a presidente Dilma Rousseff. O placar está aberto a mudanças, caso o senador mude seu posicionamento ou decida divulgar seu voto. O parlamentar pode enviar um e-mail para: placardoimpeachment@estadao.com

PLACARRITO DO IMPEACHMENT

São necessários 41
para aprovar a proposta 

48A FAVOR
3INDECISOS
9NÃO QUISERAM RESPONDER
1POSSÍVEL AUSÊNCIA
20CONTRA
FILTRAR POR:
Todos os partidos
DEM
PC do B
PDT
PMDB
PP
PPS
PR
PRB
PSB
PSC
PSD
PSDB
PT
PTB
PTC
PV
REDE
s/ sigla

Todos os estados
AC
AL
AM
AP
BA
CE
DF
ES
GO
MA
MG
MS
MT
PA
PB
PE
PI
PR
RJ
RN
RO
RR
RS
SC
SE
SP
TO

CCOMISSÃO ESPECIAL
MMUDOU DE ONTEM PARA HOJE
DEPOIMENTO

AloysioNunes Ferreira

PSDB – SP

AntonioAnastasia

PSDB – MG

AtaídesOliveira

PSDB – TO

AécioNeves

PSDB – MG

DEPOIMENTO

CássioCunha Lima

PSDB – PB

DEPOIMENTO

DalirioBeber

PSDB – SC

FlexaRibeiro

PSDB – PA

JoséSerra

PSDB – SP

PauloBauer

PSDB – SC

RicardoFerraço

PSDB – ES

TassoJereissati

PSDB – CE

DárioBerger

PMDB – SC

DEPOIMENTO

GaribaldiAlves Filho

PMDB – RN

HélioJosé

PMDB – DF

JoséMaranhão

PMDB – PB

DEPOIMENTO

MartaSuplicy

PMDB – SP

RomeroJucá

PMDB – RR

Rosede Freitas

PMDB – ES

SimoneTebet

PMDB – MS

ValdirRaupp

PMDB – RO

WaldemirMoka

PMDB – MS

AnaAmélia

PP – RS

CiroNogueira

PP – PI

GladsonCameli

PP – AC

IvoCassol

PP – RO

WilderMorais

PP – GO

AntonioCarlos Valadares

PSB – SE

FernandoBezerra Coelho

PSB – PE

LúciaVânia

PSB – GO

Romário

PSB – RJ

DaviAlcolumbre

DEM – AP

DEPOIMENTO

JoséAgripino

DEM – RN

RicardoFranco

DEM – SE

DEPOIMENTO

RonaldoCaiado

DEM – GO

DEPOIMENTO

JoséMedeiros

PSD – MT

OmarAziz

PSD – AM

SérgioPetecão

PSD – AC

BlairoMaggi

PR – MT

MagnoMalta

PR – ES

WellingtonFagundes

PR – MT

Delcídiodo Amaral

s/ sigla – MS

Reguffe

s/ sigla – DF

DEPOIMENTO

AlvaroDias

PV – PR

CristovamBuarque

PPS – DF

DEPOIMENTO

EduardoAmorim

PSC – SE

DEPOIMENTO

LasierMartins

PDT – RS

MarceloCrivella

PRB – RJ

DEPOIMENTO

ZezePerrella

PTB – MG

EdisonLobão

PMDB – MA

RaimundoLira1

PMDB – PB

Beneditode Lira

PP – AL

EunícioOliveira

PMDB – CE

JaderBarbalho

PMDB – PA

RenanCalheiros

PMDB – AL

AcirGurgacz

PDT – RO

ElmanoFérrer

PTB – PI

FernandoCollor

PTC – AL

OttoAlencar

PSD – BA

RobertoRocha

PSB – MA

WalterPinheiro

s/ sigla – BA

EduardoBraga2

PMDB – AM

AngelaPortela

PT – RR

DEPOIMENTO

DonizetiNogueira

PT – TO

FátimaBezerra

PT – RN

DEPOIMENTO

GleisiHoffmann

PT – PR

HumbertoCosta

PT – PE

JorgeViana

PT – AC

JoséPimentel

PT – CE

LindberghFarias

PT – RJ

PauloPaim

PT – RS

DEPOIMENTO

PauloRocha

PT – PA

ReginaSousa

PT – PI

JoãoCapiberibe

PSB – AP

Lídiceda Mata

PSB – BA

JoãoAlberto Souza

PMDB – MA

RobertoRequião

PMDB – PR

RandolfeRodrigues

REDE – AP

DEPOIMENTO

DouglasCintra

PTB – PE

TelmárioMota

PDT – RR

VanessaGrazziotin

PC do B – AM

VicentinhoAlves

PR – TO

  • [1] Raimundo Lira: havia declarado apoio ao impeachment, mas mudou o voto para indeciso após ser indicado para ser presidente da Comissão Especial
  • [2] Eduardo Braga: havia se manifestado contra o impeachment, mas licenciou-se do cargo e informou que não deve

Biografia de Sra Hak Ja Han Moon

Biografia de Sra Hak Ja Han Moon

Sra Hak Ja Han Moon, o presidente internacional da Federação das Mulheres para a Paz Mundial, tem dedicado sua vida à busca da paz. Junto com seu marido, o Reverendo Sun Myung Moon, ela trabalha com chefes de estado, premiados Nobel da Paz e artistas religiosos e de renome internacional para criar um mundo futuro de paz. Infância e Vida Familiar Sra Lua nasceu na aldeia de Sinli no Distrito Anju, agora chamado a Coreia do Norte, em 6 de janeiro (lunar), de 1943. Sua mãe, a Sra Hong, era um cristão sincero e seu pai era um discípulo de um famoso pregador, Rev . Jovem Do Lee. Os comunistas norte-coreanos perseguido sua família, e em 1948, quando a Sra Lua tinha 5 anos, ela e sua mãe foram presos pela polícia comunistas e presos por 11 dias. Após a sua libertação, a Sra Lua, sua mãe e sua avó fugiu sua aldeia no meio da noite. Eles foram para Taegu onde eles viveram a Guerra da Coréia e onde a Sra Moon foi criado num ambiente religioso. A família mais tarde mudou-se para Choon Chun, onde o tio da Sra Lua estava vivendo, e ela logo se formou na escola primária na cidade. Durante este período, a Sra Lua, juntamente com sua mãe, entrou para a Igreja da Unificação recém-formado. Cinco anos após a sua adesão, em 11 de abril de 1960, o jovem senhora Lua casou com o fundador da igreja, o reverendo Sun Myung Moon. Ela permanece como co-fundador da Igreja da Unificação, igual em estatura para o marido.Devoted Esposa, mãe e avó Sra Lua é uma esposa dedicada, mãe de 14 filhos e avó de mais de 40 netos. Ela é conhecida por sua extraordinária compaixão, capacidade, graça e charme. Acima de tudo, ela é exemplar como uma mulher que tem um criado um casamento centrada em Deus e da família de três gerações. Liderança ao Fortalecimento da Família

Hak Ja Han Moon

Hak Ja Han Moon e Family2

RFK Bênção estádio
Bênção no RFK Stadium, Washington, DC

O coração ea alma do ministério ao longo da vida do Reverendo e Sra Moon é o restabelecimento do ideal da família como a base para sociedades harmoniosas e a pedra angular da paz no mundo de Deus. O movimento Bênção do Casamento, que começou com a união de três casais em 1960, chegou a milhões de casais em todo o mundo. Sra Lua e seu marido presidiu as bênçãos da união em Washington, estádio RFK de DC em 1997, no Madison Square Garden em 1998 e no Estádio Olímpico de Seul e outros locais em anos sucessivos desde então. Uma mulher de paz e boa vontade internacionais Em 1968 , o Reverendo Moon estabeleceu a Professores Academia Mundial da Paz na Coréia, e em 1972 a primeira Conferência Internacional sobre a Unidade das Ciências foi realizada. Estas e outras organizações têm atraído a participação de estudiosos, cientistas e líderes nos campos da religião, a mídia, o governo e as artes, incluindo numerosos prêmios Nobel. Sra Lua desempenhou um papel crucial em todos estes desenvolvimentos, onde sua amizade compassivo complementa visão desafiadora de seu marido. Através abordando encontros informais de mulheres nessas atividades, a Sra Lua começou a fazer a sua aparição na esfera pública. Seus discursos incluiu oendereço para as Mulheres da Conferência Mundial de Mídia (Outubro de 1981) e o endereço para as Mulheres da Conferência Internacional sobre a unidade das ciências (Novembro de 1981). Sra Lua avançou no cenário mundial para a promoção de valores centrados em Deus, em 1989, quando a mídia soviética a entrevistou. Sua entrevista foi publicada na seção de Religião e Sociedade de Za Rubezhom (12 de Junho de 1989). Encontro com Mikhail Gorbachev na União Soviética e o presidente Kim Il Sung na Coreia do Norte

Mikhail Gorbachev e Kim Il Sung

No ano seguinte, o Reverendo e Sra Lua encontrou-se com Mikhail Gorbachev. Este evento extraordinário, que teve lugar no Kremlin em seu 30o aniversário de casamento, 11 de abril de 1990, deu início a um intercâmbio educacional, que tem vindo a desenvolver desde então.
Então, em dezembro de 1991, a Sra Lua colocou sua vida na linha quando ela e seu marido viajou para a Coreia do Norte para se reunir com o presidente Kim Il Sung com a finalidade de unir as duas Coréias.Essa reunião também levou a muitos projectos em curso para facilitar a união pacífica da Coreia do Norte e do Sul. Presidente Internacional da Federação das Mulheres para a Paz Mundial Em 1992, a Sra Lua, junto com seu marido, fundou a Federação das Mulheres para a Paz Mundial ( WFWP). Sra Lua foi nomeado seu Presidente Internacional. Ela investiu toda a sua energia no desenvolvimento de uma base global para a nova organização, que dá o discurso inaugural da Federação em 113 cidades em 12 países e em três línguas diferentes dentro de um período de oito meses. Este feito impressionante foi superada em 1993, durante o qual ela falou em 43 países e em todos os 50 dos Estados Unidos.

Tokyo Dome
Sra Lua fala no Tokyo Dome, no Japão

Federação das Mulheres foi oficialmente inaugurado em 10 de abril de 1992, quando, apesar do tempo inclemente, 150.000 mulheres de 72 países reuniram-se no Estádio Olímpico de Seul. Seguindo este rali internacional, a Sra Lua falou em cidades e vilas em toda a Coréia. Naquele outono, falando em japonês, a Sra Lua discursou para uma multidão de 50.000 mulheres no Tokyo Dome. Posteriormente, ela fez discursos para grandes audiências em Nagoya, Osaka, Hiroshima, Fukuoka, Sendai e Sapporo. Mais tarde nesse ano, a Sra Lua continuou sua campanha mundial com uma turnê por oito cidades da América em oito dias consecutivos. Após sua turnê norte-americana, a Sra Lua falou em mais oito cidades na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e, finalmente, em Moscou . Ela também visitou a costa do Pacífico, onde ela falou na Austrália, Nova Zelândia e as Filipinas antes de abordar 200 líderes da Federação das Mulheres da China (nenhuma relação com WFWP) no Grande Salão de Pequim do Povo.

Sra Moon at Nações Unidas
Sra Lua fala em Nações Unidas

Em julho de 1993, depois de falar por toda a América, visita da Sra Lua culminou com endereços em Capitol Hill e nas Nações Unidas, entregar uma mensagem de paz e reconciliação religiosa. Enquanto cruzando o continente, ela foi saudada por centenas de funcionários públicos do Maine para o Havaí, incluindo 35 governadores, 131 prefeitos, 25 senadores norte-americanos e centenas de cidadãos proeminentes e organizações. Líderes que elogiou o passeio incluiu Ms. Maureen Reagan, Sra Coretta Scott king, Dr. Cecil Murray e reverendo Jerry Falwell. Uma chamada para a declaração do Dia Nacional Pais foi inserido no Congressional Record, tanto no Senado e Câmara e Senado do estado de Califórnia emitiu um Certificado de Reconhecimento. Presidente Bill Clinton assinou uma lei que autoriza o último domingo de julho ser reconhecida como “Dia Nacional de Pais.” Em dezenas de estados e municípios, o dia do seu discurso foi declarado o “Dia Nacional Pais”, o “Dia da Mulher e da Paz Mundial”, ou “Hak Ja Han Dia da Lua.” O senador Orrin Hatch a apresentou ao público de US senadores, deputados, seus assessores e outros dignitários em Capitol Hill no Dirksen do Senado Office Building. O ponto culminante da excursão americana veio quando a Sra Lua falou aos embaixadores, conselheiros, adidos e representantes das Nações Unidas e outros convidados ilustres durante uma conferência nas Nações Unidas. Sua Excelência Stoyan Ganev, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentou-a. Embaixadores de 67 países estavam presentes com cerca de 100 nações representadas no total. Liderando o caminho para a Renovação da Organização das Nações Unidas

Sra Lua

Hoje, a Sra Lua e seu marido, o Rev. Dr. Sun Myung Moon, estão propondo uma revitalizada, renovada das Nações Unidas, com a ajuda da Federação recém-criado para a Paz Universal (UPF), com mais de 50.000 diplomatas, religiosos, cívicos líderes, atuais e antigos chefes de estado nomeado como Embaixadores da Paz. Entre as iniciativas atuais proeminentes da UPF é a Iniciativa de Paz no Médio Oriente. Milhares de líderes religiosos viajaram a Israel e Palestina para instar os filhos de Abraão se unir em paz. A UPF também tem sido ativa em caso de catástrofe após o furacão Katrina. Ele está lutando contra a propagação da SIDA e incentivar os jovens a trabalhar pela paz através do esporte e serviço à comunidade. A Sportswoman e patrono das artes Sra Ações lua com seu marido um grande amor ao ar livre. A pesca é um de seus passatempos favoritos, e ela chamou troféu de tamanho pescar em todo o mundo. Ela também foi fundamental para a criação do Centro Equestre Deer Park em Nova York, que possui um dos melhores arenas da América para as competições equestres. Sra Lua e seu marido são amantes e patronos das artes. Várias décadas atrás, eles fundaram as Little Angels Performing Arts School, em Seul, Coréia. O seu corpo de baile, chamado os anjinhos infantil Folk Ballet, foi realizada antes de os líderes mundiais e dos direitos. Ela e seu marido também são clientes do New York City Symphony, que o New York Daily News aclamado como “uma das melhores orquestras da América.” Senhora. Lua e seu marido fundaram a Academia de Ballet Universal em Washington, DC, que treina jovens dançarinos no estilo russo com mestres do Ballet Kirov de São Petersburgo. Os dançarinos da escola ganhou recentemente um número sem precedentes de medalhas de ouro na competição internacional. O Ballet Company Universal, que eles fundaram, é agora uma trupe clássica preeminente. Sra Lua leva três gerações da família da lua em um mundo de língua Tours para a Paz, em 120 países


falando de turismo

Em 2005, a Sra Lua acompanhou o marido em uma histórica turnê mundial para 100 cidades internacionais em 100 dias. No mesmo ano, a Sra Lua sozinha levou um 120-city falando World Tour acompanhado por seus filhos, seus cônjuges e seus netos adultos e cônjuges que também serviu como alto-falantes. Durante esta visita, a Sra Lua reuniu-se com numerosos chefes de estado, incluindo o Presidente da Índia. Internacional de títulos e prêmios Sra Lua é o receptor de muitas honras e prêmios internacionais. Por seu trabalho humanitário e por sua contribuição para a paz mundial, ela recebeu doutorados honorários de instituições como Bloomfield College, em New Jersey e La Plata Universidade da Argentina; ela foi premiada com a Medalha do Brasil de Ministério da Educação daquele país. .

A VERDADE VIRTUAL

Pierre Lévy é um filósofo francês da cultura virtual contemporânea. Vive em Paris e leciona no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-VIII. Foi incentivado e treinado por Michel Serres e Cornelius Castoriadis a ser um pesquisador. Especializou-se em abordagens hipertextuais quando lecionou na Universidade de Ottawa, no Canadá. Após sua graduação, preocupou-se em analisar e explicar as interações entre Internet e Sociedade. Desenvolveu um conceito de rede, juntamente com Michel Authier, conhecido como Arbres de connaissances (Árvores do Conhecimento). Lévy também pesquisa a inteligência coletiva focando em um contexto antropológico, e é um dos principais filósofos da mídia atualmente. Suas pesquisas se concentram principalmente na área da cibernética. Com isso, tornou-se um dos maiores estudiosos sobre a Internet, que por ser uma mídia informativa recente, não possui dimensões de repercussão e aplicação bem definidas.

Índice [esconder]
1 Biografia
1.1 Vida e história
1.2 Formação
2 Influência
2.1 Seu Estudo
2.2 No Brasil
3 Conceitos
3.1 Inteligência Coletiva
3.2 Cibercultura
3.3 Virtualização
3.4 Atualização
3.5 Ciberdemocracia
3.6 Ciberespaço
4 Obras
4.1 Principais Obras
4.2 As Tecnologias da Inteligência
4.3 As Árvores de Conhecimento
4.4 Cibercultura
4.5 O Que é Virtual?
4.6 Suas Obras
5 Ver também
6 Ligações externas
7 Referências
Biografia[editar | editar código-fonte]
Vida e história[editar | editar código-fonte]
Pierre Lévy nasceu no dia 2 de julho de 1956, na Tunísia, país do norte da África que na época era colônia da França, em uma família judia. Pouco se sabe sobre sua trajetória pessoal até 1980 (quando ele termina seu Mestrado em História da Ciência, na Universidade de Sorbonne, em Paris1 ).

Convencido do papel vital das técnicas de comunicação e dos sistemas de sinais na evolução cultural em geral, começa a pensar a “revolução digital” na filosofia contemporânea, estética, educacional e antropológica. Descobre sua vocação ao envolver-se na elaboração de elementos de História da Ciência(1989) juntamente com uma equipe, durante um curso com o filósofo francês Michel Serres. Neste curso, assinou um capítulo sobre a invenção do computador e, após assiná-lo, publica seu primeiro livro: A Máquina Universo – criação, cognição e cultura informática em 1987, no qual fala sobre as implicações culturais da informatização e suas raízes na história do Ocidente.

Nos anos de 1987 a 1989, tornou-se professor visitante no Departamento de Comunicação da Universidade do Quebec em Montreal. Lá, teve a oportunidade de aprimorar seu conhecimento sobre ciência cognitiva. Ao descobrir o mundo emergente do hipertexto e da multimídia interativa, começou a executar sistemas especialistas. Seu segundo livro, As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era da informática de 1990, é o resultado de sua experiência na América do Norte. Nele, Levy busca fornecer uma consistência filosófica ao conceito de hipertexto, e apresenta o programa de “ecologia cognitiva”, que é muito próximo daquilo que Régis Debray havia chamado de “mediology”2 . Tal livro se torna a mais famosa de suas obras no Brasil.

Lévy torna-se relativamente famoso em todo o planeta a partir de meados da década de 1990, quando difunde sua tese sobre a As Árvores de Conhecimento, um mecanismo que criou com Michel Authier1 . Este sistema é composto por um software de cartografia e pelo intercâmbio de conhecimentos entre comunidades, gerando uma ampla enciclopédia virtual em constante transformação.

A partir de 1993, Pierre Lévy passa a atuar como professor no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris, em St-Denis. De 2002 em diante ele assume como titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva, na Universidade de Ottawa, Canadá. O filósofo logo se torna integrante da Sociedade Real do Canadá (Academia Canadense de Ciências e Humanidades).

Lévy já esteve no Brasil, proferindo palestras para uma média de 500 pessoas no Sesc Vila Mariana. Seus temas por excelência são: a exclusão do universo digital, a Internet, as novas tecnologias da comunicação e o futuro da humanidade na esfera da contínua digitalização.

Formação[editar | editar código-fonte]
Lévy é mestre em História da Ciência formado pela Universidade de Sorbonne, e tem formação em Sociologia e Filosofia. É um pesquisador reconhecido e respeitado na área da cibernética, da inteligência artificial e da internet. É precursor de concepções como inteligência coletiva, ciberespaço, cibercultura e internet como um instrumento de desenvolvimento social; além de ter experiência técnica na concepção de sistemas de informação inteligentes. Seu último livro, Cibercultura, relata diversas experiências realizadas através da Internet.

É Professor de Ciências Educacionais na Universidade de Paris-Nanterre, no Departamento de Hipermídia da Universidade de Paris-8, em St-Denis e é titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva, na Universidade de Ottawa, no Canadá3 .

Influência[editar | editar código-fonte]
Seu Estudo[editar | editar código-fonte]
O filósofo francês é um dos maiores estudiosos sobre o mundo da Internet, que é considerada uma mídia informativa recente quando comparada as outras pelo fato de suas aplicações na sociedade atual ainda não terem sido devidamente dimensionadas4 .

Sua vocação para a pesquisa foi despertada durante um curso com o filósofo francês Michel Serres, na Universidade de Sorbonne, em Paris. Convencido do papel fundamental desempenhado pelas técnicas de comunicação e pelos “sistemas de signos” na evolução cultural em geral, assumiu sua principal tarefa: pensar a “revolução informática”5 .

Três anos após a conclusão de seu mestrado, Pierre Lévy defendeu sua tese em “Sociologia e Ciências da Informação e da Comunicação” na capital francesa, discorrendo sobre a ideia de liberdade na Antiguidade1 .

Suas pesquisas se concentraram especialmente na área da cibernética e da inteligência artificial. Nos anos 80, passou a lecionar na Universidade de Quebec, no Canadá, e suas aulas giravam em torno da função dos computadores no mecanismo da comunicação1 .

Ele nos propõe repensar completamente o papel do conhecimento/informação/comunicação na sociedade, pois esses fatores eram vistos como algo secundário, influenciados pela política e economia, por exemplo.6 Segundo ele, o advento da Internet nos expôs uma realidade que torna este tipo de visão ineficaz, tendo em vista que a sociedade passa a fazer macro-mudanças que são inexplicáveis devido a chegada da rede e, com isso, novas empresas, novos movimentos políticos, novas formas de se vender, de comprar, de se informar, se comunicar, de se relacionar. Sendo assim, não é a economia ou a política e nem o social que estão provocando tais fatos, mas sim essas macro-mudanças no ambiente da mídia, que envolve o conhecimento, a informação e a comunicação.

Lévy sugere a inversão do mapa conceitual atual demostrando, por intermédio de uma lógica histórica, que, diferentemente de nossa ideia de que o conhecimento/informação/comunicação, dentro de uma nova mídia, criam o caminho na qual a economia, a política e a sociedade irão trilhar de maneira distinta no futuro.

Em seus estudos, aborda o papel fundamental das tecnologias na esfera da comunicação e a performance dos sistemas de signos na evolução da cultura em geral. Seu foco é voltado para a exclusão do universo digital, da Internet, das novas tecnologias da comunicação e do futuro da humanidade na esfera da contínua digitalização1 .

Lévy acredita que estamos frente ao século da globalização da informação e da desmaterialização dos suportes da informação. Isso permite que as pessoas tenham acesso a uma variedade de obras, serviços, dados e produtos transmitidos e reproduzidos em grande velocidade pelas mais variadas formas de produção e distribuição. Para ele, a internet permite hoje que milhões de pessoas se dirijam a um vasto público nacional e internacional. Pessoas que não puderam publicar suas ideias nas mídias clássicas como a edição em papel, nos jornais ou aparecer em televisão, o fazem na internet.

Pierre Lévy reafirma constantemente sua posição sobre a internet como um instrumento importante de desenvolvimento social, lembrando que essa ferramenta tem apenas cerca de 10 anos de uso e ainda muito para desenvolver e se popularizar. Lembra também que no caso da escrita, por exemplo, pelo menos 3.000 anos se passaram para que se atingisse seu atual estágio, no qual a grande maioria sabe ler e escrever. A inclusão digital na sociedade é de suma importância para aumentar, cada vez mais, o número de plugados, tendo assim um posicionamento positivo sobre o futuro da internet e seus ganhos para a sociedade.

O autor lembra também que a evolução do homem só é possível devido as habilidades aprendidas por ele, as quais o difere dos animais (tais como a construção de diálogos e organização do pensamento). Além disso, seriam essenciais para a construção da inteligência coletiva. Para ele, o gênero humano já passou por três períodos históricos evolutivos: a oralidade, a escrita e a virtualização na qual se encontra atualmente5 . Portanto, a informatização ou virtualização representa mais um ponto positivo na evolução humana.

No Brasil[editar | editar código-fonte]
Pierre Lévy já esteve no Brasil inúmeras vezes, sempre ministrando palestras em instituições de ensino e realizando conferências. A última delas foi em agosto de 2012, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. O tema central dessa palestra foi Internet e Desenvolvimento Humano. No evento, Pierre reafirmou a importância da Internet no desenvolvimento da sociedade atual.

“A Internet é um instrumento de desenvolvimento social. Devemos lembrar que a escrita demorou pelo menos 3000 anos para atingir o atual estágio, no qual todos sabem ler e escrever. A Internet tem apenas 10 anos”, foi uma das falas de Lévy durante sua palestra no Brasil. 7

Como foi pioneiro no estudo da cibercultura, é natural que outros autores sejam influenciados por suas ideias e correntes de pensamentos. No Brasil, pode-se citar o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, André Lemos, que em 2010 lançou um livro em parceria com Lévy pela editora Paulus: O futuro da internet: Em direção a uma ciberdemocracia planetária . Este livro é, na verdade, a atualização de um livro de Lévy lançado em 2002, o Cyberdémocracie: Essai de Philosophie Politique

Recentemente, Pierre Levy comentou sobre os protestos ocorridos no país no primeiro semestre de 2013. Para ele, há uma nova geração de pessoas com boa educação, trabalhadores que têm conhecimento e que, através da internet, querem ser ouvidos. Dessa forma, há uma comunicação sem fronteiras que a mídia simplesmente não controla; uma “identidade em rede”. Inteligência coletiva e transparência são contemplados, visando também uma nova ideologia que busca o “desenvolvimento humano” (a partir da educação, saúde e direitos humanos). Em geral, se desconfia da mídia, privilegiando as informações transmitidas por pessoas ou instituições organizadas. Isso significa uma comunicação autônoma, na qual cada um decide em quem confiar, e esse é o ponto da nova comunicação na mídia social. Para ele, as mobilizações através das redes sociais afirmam que “A revolta brasileira está acima de qualquer evento emocional, social e cultural.”8 Segundo o autor, é o experimento de uma nova forma de comunicação.

Em seu livro Cibercultura, Levy expressa suas expectativas favoráveis em relação à educação a distância. Sobre o tema, concedeu sua opinião em relação à educação a distância que ocorre no Brasil (EAD). O autor destacou as vantagens mais expressivas dessa modalidade de ensino, apresentando-a como um setor de educação particularmente interessante por permitir que um grande número de novidades seja testado junto a novas técnicas pedagógicas o que, para ele, deveria acontecer em todos os ramos da educação. Destaca também que as tecnologias utilizadas na educação a distância tendem, cada vez mais, a ser utilizadas e adaptadas nos ambientes de educação tradicional (como filmes, vídeos, programas de computadores).9

Conceitos[editar | editar código-fonte]
Inteligência Coletiva[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Inteligência coletiva
O conceito de inteligência coletiva é desenvolvido por Pierre Lévy em seu livro “A inteligência coletiva – Por uma antropologia do ciberespaço”. Nessa obra, o autor explica que, na realidade, esse conceito é estudado e aplicado há muito tempo. Lévy aborda toda a história da inteligência coletiva e a relaciona com o ciberespaço, abrangendo diversas áreas sobre o tema.

A inteligência coletiva é um termo que diz respeito a um princípio no qual as inteligências individuais são somadas e compartilhadas por toda a sociedade, sendo potencializadas a partir do surgimento de novas tecnologias de comunicação como a Internet, por exemplo. Para o filósofo, ela possibilita o compartilhamento da memória, da imaginação e da percepção, o que resulta na aprendizagem coletiva, troca de conhecimentos. As informações são cruzadas e então selecionadas por cada pessoa numa espécie de ecossistema de ideias.

Para o autor, reconhecer a inteligência dos demais indivíduos e seu potencial faz parte da inteligência coletiva. Sendo assim, não se pode menosprezar nem subjugar ninguém, seja por seu emprego, condição social, sobrenome, etc. De certa forma, todos são seres inteligentes e possuem seus conhecimentos. Segundo Pierre Lévy, quando todos pensarem desta forma, exaltando a inteligência coletiva, será dado um passo importante para o aumento do entendimento de cada um.

Esse conceito é debatido pelo autor estabelecendo uma relação com as tecnologias da inteligência, caracterizando-se pela nova forma de pensamento sustentável, através de conexões sociais que se tornam viáveis pela utilização das redes abertas de computação da internet.

As tecnologias da inteligência são representadas especialmente pelas linguagens, pelos sistemas de signos, pelos recursos lógicos e pelos instrumentos dos quais nos servimos. Todo nosso funcionamento intelectual é induzido por essas representações. Segundo o filósofo e sociólogo, os seres humanos são incapazes de pensar sozinhos e sem o auxílio de alguma ferramenta.

A inteligência coletiva seria, pois, uma forma do homem pensar e compartilhar seus conhecimentos com outras pessoas, utilizando recursos mecânicos, como por exemplo a internet. Nela, os próprios usuários geram o conteúdo através da interatividade com o website.

Cibercultura[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Cibercultura
Para Pierre Lévy, cibercultura reflete a “universalidade sem totalidade”, algo novo se comparado aos tempos da oralidade primária e da escrita. É universal porque promove a interconexão generalizada, mas comporta a diversidade de sentidos, dissolvendo a totalidade. Em outras palavras, a interconexão mundial de computadores forma a grande rede, na qual cada nó é fonte de heterogeneidade e diversidade de assuntos, abordagens e discussões, ambos em permanente renovação.

Lévy coloca que a cibercultura é um movimento que oferece novas formas de comunicação, o que chama a atenção de milhares de pessoas pelo mundo.

Desde o início, o autor explicita a sua intenção de deixar de fora as questões econômicas e industriais, concentrando-se nas implicações culturais. No entanto, ele próprio não consegue se desvencilhar da teia de colisões sociais, políticas e econômicas em que a técnica se insere e enaltece a “dialética das utopias e dos negócios”, numa referência à relação da cibercultura com a globalização econômica. Sem dúvida, questões tão complexas como essas mereceriam tratamento mais aprofundado. Segundo Lévy, o próprio ambiente instável, dificulta a formulação de grandes respostas. De qualquer forma, ele consegue dar o seu recado: é preciso navegar neste mundo de transformações radicais.

Sobre esta visão que sugere que a rede está tendendo à uma finalidade mercadológica e paga, Levy argumenta que a música e o cinema também são produtos industriais, mas nem por isso aumentou o fosso existente entre ricos e pobres. Além do mais, se os serviços pagos na rede estão aumentando, os serviços gratuitos aumentam em uma velocidade bem maior.

O autor acredita que a cibercultura seja a herdeira legítima da filosofia das Luzes e difunde valores como fraternidade, igualdade e liberdade. Para ele, a rede é, antes de tudo, um instrumento de comunicação entre indivíduos, um lugar virtual no qual as comunidades ajudam seus membros a aprender o que querem saber.

Virtualização[editar | editar código-fonte]
Ver artigo principal: Virtualização
Levy classifica como “fácil e enganosa” a oposição entre real e virtual, defendendo que o virtual, na verdade, se opõe ao atual, na medida em que tende a se atualizar, sem alcançar uma concretização efetiva. Junto a isso, afirma que o virtual se distingue do possível, na medida em que este último já estaria constituído, estando somente em estado latente, pronto a se transformar no real. Dessa forma, o virtual assume a condição de algo que fornece as tensões para o processo criativo que envolve a atualização, não sendo algo previsível e estático, como a passagem do possível para o real.

O virtual assume o lugar do significado, de matriz geradora, em oposição à atualização particular do significante, ou o atual. Lévy compara também o virtual a um “vazio motor” e a partir disso, trabalha com o conceito de virtual, qualificando como uma de suas principais modalidades, ou seja, o desprendimento do aqui e agora.

A virtualização amplia a variabilidade de espaços e temporalidades, enquanto novos meios de comunicação estabelecem modalidades diversificadas de tempo e espaço que diferenciam aqueles que estão envolvidos entre si e também em relação aos que se situam fora do novo sistema. Essa atribuição de valor em função das diferenças é aplicada por Lévy ao processo de virtualização. Para ele, a ampliação da comunicação e da velocidade compartilham a “tensão em sair de uma presença”.

Existem vários tipos de virtualização, como por exemplo a virtualização do texto, da ação, do presente, da violência, do corpo, entre outros. A virtualização sempre esteve presente em nossas vidas, e ela influencia em diversos aspectos, em especial no que diz respeito à evolução da espécie humana.10

Atualização[editar | editar código-fonte]
A atualização é uma solução de um determinado problema, um resultado de fatores que se conjugam e originam uma solução. Pierre Lévy define a atualização como “uma criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades.”11

A atualização é a criação, é a invenção de uma forma a partir de uma configuração dinâmica de forças e de finalidades, podendo ser, por isso, definida como o movimento inverso da virtualização. O mesmo ocorre por representar uma mutação da identidade; um deslocamento do centro de gravidade ontológico do objeto considerado ao invés de se definir por sua atualidade; uma “solução”. A entidade passa a encontrar sua consistência essencial num campo problemático, ou seja, a atualização vai de um problema a uma solução, enquanto a virtualização passa de uma solução dada a um problema.

Ciberdemocracia[editar | editar código-fonte]
Segundo o autor, a Internet proporciona um progresso de democracia. O mesmo ocorre não porque as pessoas vão responder imediatamente a pergunta de outros, mas porque poderão, por si próprias, elaborar muito mais seus próprios problemas e questões e, eventualmente, submetê-los às autoridades políticas. Esta parece ser a maneira pela qual a democracia irá progredir, a qual Pierre Levy acredita ser uma outra forma de progresso da democracia, com maior transparência. Com as novas técnicas de comunicação, as pessoas podem facilmente ter acesso a documentos complexos e a informações que antes pertenciam a uma pequena minoria.

No entanto, segundo ele, para que a ciberdemocracia seja de fato democrática é necessário o desenvolvimento da educação, o desenvolvimento humano, o combate à pobreza e a facilitação do acesso à Internet pelas classes ainda fora de rede.

Ciberespaço[editar | editar código-fonte]
O conceito de ciberespaço pode ser melhor compreendido à luz do esclarecimento que Pierre Levy faz à respeito do virtual (Levy, 1996). Segundo ele, o virtual é uma nova modalidade de ser, cuja compreensão é facilitada se considerarmos o processo que leva a ele: a virtualização.

O ciberespaço pode ser considerado uma virtualização da realidade, uma migração do mundo real para um mundo de interações virtuais. A desterritorialização, a saída do “agora” e do “isto” é uma das vias régias da virtualização por transformar a coerção do tempo e do espaço em uma variável contingente. Esta migração em direção à uma nova espaço-temporalidade estabelece uma realidade social virtual que, aparentemente mantendo as mesmas estruturas da sociedade real, não possui, necessariamente, correspondência total com esta, possuindo seus próprios códigos e estruturas.

O autor diz que ciberespaço envolve alterações profundas na nossa maneira de pensar, de dar sentido ao mundo, de nos relacionarmos uns com os outros e de organizar a sociedade, ou seja, uma nova abordagem do conhecimento. Com isso, notamos também uma mudança epistemológica, na qual há uma resposta para a relação sujeito/objeto do conhecimento. Lévy considera que é necessário inventariar todo este conhecimento, tendo em vista que a modernidade sufoca o sujeito com uma racionalidade que não considera todas as dimensões humanas que não são racionais. Para transmitir conhecimento, é preciso que cada um refaça a experiência, recriando o mundo a partir de seus próprios olhares.

Ao constituir-se em um novo espaço de sociabilidade, acaba gerando novas formas de relações sociais com códigos e estruturas próprias.

Obras[editar | editar código-fonte]
Principais Obras[editar | editar código-fonte]
As Tecnologias da Inteligência[editar | editar código-fonte]

Capa do livro “As tecnologias da inteligência.”
No livro “As tecnologias da Inteligência”, Lévy leva como tema central o papel da informação na constituição das culturas e as inteligências dos grupos humanos. Ele aborda as tecnologias que denomina “tecnologias inteligentes”, defendendo a tese da história da inteligência através de “coletivos cosmopolitas” compostos de indivíduos, instituições e técnicas. Ao desenvolver o conceito de ecologia cognitiva, irá defender a ideia “de um coletivo pensante homens-coisas, coletivo dinâmico povoado por singularidades atuantes e subjetividades mutantes(…)”12 . A questão da técnica ocupa uma posição central em sua obra. Lévy nos conduz a uma revisão, tanto da filosofia política como também da filosofia do conhecimento, mostrando que as categorias usuais da filosofia do conhecimento tais como mito, a ciência, a teoria, a interpretação ou a objetividade dependem intimamente do uso histórico, datado e localizado de certas tecnologias intelectuais. O propósito é designar as tecnologias intelectuais como um terreno político fundamental, como lugar de conflitos e de interpretações divergentes. Para o autor, “uma reapropriação mental do fenômeno técnico parece um pré-requisito indispensável para a instauração progressiva de uma tecnodemocracia”13 . Pierre Lévy tentará mostrar neste livro que não existe informática em geral, e não apresentará nem uma apologia nem uma crítica à mesma, mas sim um ensaio de avaliação das questões antropológicas ligadas ao crescente uso do computador.

A primeira parte de “A metáfora do hipertexto” é consagrada à informática de comunicação, naquilo que ela tem de mais original em relação às outras mídias. Em particular,será visto que o hipertexto representa um dos futuros da escrita e da leitura14 .

Já na segunda parte deste livro “Os três tempos do espírito, oralidade, escrita, informática”, Levy tomará uma certa distância em relação às evoluções contemporâneas, ressituando-as em uma continuidade histórica, enquanto na terceira parte será abordada a “ecologia cognitiva”, propondo uma abordagem ecológica da cognição através da qual o autor espera contribuir para renovar o debate em andamento sobre o dever do sujeito, da razão e da cultura15 .

As Árvores de Conhecimento[editar | editar código-fonte]
A ideia das “Árvores de Conhecimentos” desenvolvida por Lévy e seu amigo Michel Authier (matemático com formação em sociologia e história das ciências), consiste em um programa de informática criado para que os membros de uma determinada comunidade possam revelar suas qualificações e habilidades e mostrá-las à sociedade, ou seja, a árvore mostra o conjunto de conhecimentos da coletividade. Para Lévy, a árvore é, de fato, um mundo virtual baseado em um conjunto de conhecimentos,e em como compartilhá-los. O livro se divide em três partes: Fábulas, O Sistema e Questões. Na primeira parte, Fábulas, são propostas histórias hipotéticas nas quais a ideia das Árvores de Conhecimento se realizaria. Em diversos momentos e nas mais variadas localidades do mundo há exemplos de aplicações do programa, visando a possibilidade do reencontro da coletividade e de uma solidariedade humana e concreta. Segundo Pierre Lévy, as Árvores de Conhecimentos são uma hipótese de democracia que se encaixam na atual sociedade, pois essa é, para ele, uma grande floresta onde crescem árvores do conhecimento voltadas para a informação e a comunicação rápida, representando as coletividades. Além disso, é um projeto para o futuro, a ser implantado a longo prazo e à medida que o acesso aos novos meios tecnológicos se torne mais amplo.16 .

As árvores se estruturam a partir de patentes, que são pequenos emblemas representantes dos saberes elementares de cada indivíduo. As patentes são atribuídas às pessoas depois de realizada uma prova, que pode ser um exercício de simulação, de memória, de testemunho, entre outros. Tais saberes não necessariamente são classificados por sua validade acadêmica formal. Esse conceito de patentes, portanto, inclui saberes como saber cozinhar, contar histórias, cuidar de crianças e costurar. Desse modo, o indivíduo é valorizado por aquilo que ele sabe, por suas competências, e não por aquilo que ele não sabe (classificação usada na atualidade e que é altamente excludente). O conjunto das patentes inserido na Árvore de Conhecimento forma um brasão, que é uma representação gráfica dos saberes de cada indivíduo, ou seja, a sua identidade cognitiva.16

A intenção de tal projeto, segundo Pierre Lévy, é tornar visível o espaço dos saberes em uma comunidade e a identidade de cada pessoa nesse mesmo espaço. A formação de uma árvore em um determinado grupo possibilita que o coletivo humano, até então existente apenas no plano ideal (ou virtual), se organize efetivamente em uma comunidade de saber, cuja representação gráfica, por sua vez, é a Árvore de Conhecimento, nascida a partir de princípios de auto-organização, de democracia e de livre troca de saberes entre indivíduos. As Árvores de Conhecimento são a melhor maneira de se analisar os grupos humanos, uma vez que são analisados de acordo com seu potencial e poder coletivo, ao invés de relações de poder. São, portanto, uma nova forma de considerar o funcionamento da sociedade, não mais relacionado ao poder, mas ao conhecimento, intercâmbio e aprendizado.

A Árvore de Conhecimento criada em uma região pode atender à demanda de empregos das empresas ali estabelecidas, criar um registro de como um grupo de pessoas poderia se organizar em torno de suas habilidades e competências, formando cooperativas de trabalho, por exemplo, ou mesmo mostrar quais saberes deveriam ser mais explorados e quais poderiam ser mais desenvolvidos ou aprofundados. “É uma equivalência entre conhecimento e dinheiro que, na economia do futuro, será cada vez mais presente entre idéias, conhecimentos e riqueza.”[1]

A obra de Pierre Lévy, longe de ser uma saída definitiva para a exclusão social tão presente em um mundo organizado em “níveis”, se apresenta como uma ideia inovadora e capaz de nos fazer pensar sobre a democratização dos conhecimentos e habilidades de cada indivíduo16 .

Cibercultura[editar | editar código-fonte]

Capa do livro “Cibercultura” de Pierre Lévy traduzido por Carlos Irineu.
Uma das obras mais conhecidas de Pierre Levy no Brasil e no mundo é o livro Cyberculture, publicado em 1997 pela Éditions Odile Jacob (Paris). Em 1999, foi traduzido para o português por Carlos Irineu da Costa, através da Editora 34, com o título de Cibercultura17 . O livro aborda questões como o que é cibercultura, que movimento social e cultural encontra-se oculto por trás deste fenômeno técnico, se podemos falar de uma nova relação com o saber, quais são as mutações que a cibercultura gera na educação e na formação, quais são as novas formas artísticas relacionadas aos computadores e às redes, como o desenvolvimento do ciberespaço afeta o espaço urbano e a organização do território, e quais são as implicações culturais das novas tecnologias.18 O livro aborda desde a digitalização até a navegação, passando pela memória, pela programação, pelo software, pela realidade virtual, pela multimídia, pela interatividade, pelo correio eletrônico e etc.

Passada mais de uma década, a obra ainda se mostra atual, trazendo reflexões oportunas para se repensar os caminhos da humanidade e, em especial, da aprendizagem, com o advento das tecnologias digitais. Sua atualidade incide no fato de que muitos dos desafios elencados pelo pesquisador ainda se impõem às instituições de ensino, responsáveis pela aprendizagem formal, bem como às demais organizações, como ONGs e empresas, que lidam com a aprendizagem ao longo da vida: elemento crucial à formação contemporânea.18 Segundo Levy há, dessa forma, a necessidade de duas reformas no sistema da educaçao e informaçao: utilização da EAD (Educação a Distância) e o reconhecimento das novas formas de aprendizagem através das experiências sociais e profissionais e não mais somente através das formas tradicionais escolares e acadêmicas.

Lévy finaliza seu livro discutindo sobre os questionamentos e críticas que sua teoria poderia gerar, tais como a crítica da substituição, que afirma que o virtual suplantará o real; a manutenção da diversidade das línguas e das culturas; e os problemas de exclusão e desigualdade social frente às novas tecnologias. Dessa forma, faz uma “crítica da crítica”, questionando até que ponto essas críticas são progressistas e a partir de quando corre o risco de se tornar conservadora.

O Que é Virtual?[editar | editar código-fonte]
No livro “O que é Virtual?” Pierre Lévy aborda o fenômeno da virtualização à luz da relação entre a comunicação virtual e as características da sociedade contemporânea. O autor nos leva à uma desconstrução e a possíveis análises e reflexões sobre o que muitas pessoas imaginam sobre o conceito de virtualidade, mostrando que “virtual” não é antônimo de “real” e nem sinônimo de “imaginário”. Além disso, compara o real e a virtualização com o atual e o virtual. Para ele, o real tem limitações evidentes e é observável, equanto a virtualização tem pensamento baseado em definições, em determinações.

Nos dias de hoje, a informática invade a vida dos indivíduos seja no trabalho, nas viagens, em casa, num passeio com os amigos ou até mesmo nas compras. Nesse sentido, é discutida a possibilidade de vivermos no mundo sem depender das tecnologias da informática. Nessa obra, Levy fala da virtualização como uma nova possibilidade, questionando se ela seria boa ou ruim, e descreve também a diferença entre o virtual e o atual. Para ele, o real é possivelmente realizado, enquanto o atual é virtualmente atualizado. Sendo assim, o virtual tem apenas uma pequena ligação com o imaginário, sem se confundir com ele, tendo em vista que são coisas distintas.

Lévy explica este conceito em seu livro sob aspectos filosóficos, antropológicos e sociopolíticos (definidos por Lévy como uma tripla abordagem).

O autor evidencia as diversas virtualizações que fizeram o “humano”, que foram a linguagem (virtualização do presente), a técnica (virtualização da ação) e o contrato (virtualização da violência). 19 , abordando também mais profundamente outras virtualizações, tais como a virtualização do corpo 20 , do texto 21 e da economia 22 . Mais de um capítulo é dedicado à virtualização da inteligência19 , tanto a coletiva quanto a pessoal, e de como a virtualização predispõe a maneira de pensar do indivíduo e dos grupos.

A virtualização do corpo é sua multiplicação. Esse corpo virtualizado, disperso, pode ser visto por um número elevado de pessoas ao mesmo tempo (o que Levy denomina de “olho coletivo”). No mundo virtualizado não há mais fronteiras, e a identidade do corpo agora é dissipada, se perde. Não sabemos mais diferenciar o que é verdadeiro e o que é falso, o que faz ou não parte do corpo, e esses fatos contribuem para a formação de um corpo coletivo. A virtualização do corpo incita todas as trocas e, diante disso, o corpo sai de si mesmo, adquire novas velocidades, tempos, formas, presenças e se multiplica. Virtualizar um corpo não é simplesmente desmaterializá-lo, mas também implica uma mudança de identidade, da passagem da solução para uma problemática, envolvendo outras esferas.

Preferido de Temer para Justiça assinou manifesto contra Operação Lava Jato

Preferido de Temer para Justiça assinou manifesto contra Operação Lava Jato

Josias de Souza

23/04/2016 02:35

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Amigo de Michel Temer, o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira é, hoje, o nome mais cotado para comandar o Ministério da Justiça num eventual governo do PMDB. Trata-se de uma das principais grifes da advocacia nacional. Há quatro meses, em janeiro, Mariz empurrou o seu prestígio para dentro de um manifesto com críticas radioativas à Lava Jato.

Subscrito por mais de uma centena de advogados, o texto se refere à operação que investiga o maior caso de corrupção já descoberto no país como “uma espécie de inquisição.” Acusa a força-tarefa que cuida do caso de praticar “violações de regras mínimas para um justo processo”.

Mais: o manifesto endossado pelo preferido de Temer alega que, na Lava Jato, desrespeitam-se princípios elementares do Direito —a presunção de inocência, o direito de defesa e a garantia da imparcialidade, por exemplo.

Muito mais: reclama-se no manifesto do excesso de prisões provisórias, da atuação da imprensa, do vazamento seletivo de informações sigilosas, da execração pública dos réus e da violação de prerrogativas dos advogados.

Sem mencionar-lhe o nome, o documento denuncia a suposta parcialidade do juiz Sérgio Moro. Classifica de “desnecessárias” as prisões de corruptos e corruptores. “O Estado de Direito está sob ameaça”, anota o texto subscrito por Mariz.

“No plano do desrespeito a direitos e garantias fundamentais dos acusados, a Lava Jato já ocupa um lugar de destaque na história do país”, anotou o documento. “Nunca houve um caso penal em que as violações às regras mínimas para um justo processo estejam ocorrendo em relação a um número tão grande de réus e de forma tão sistemática.”

Antonio Mariz reiterou em entrevistas as críticas despejadas sobre o manifesto. Pressionando aqui, você assiste a uma dessas entrevistas, concedida à repórter Maria Lydia. O doutor já atuou na Lava Jato. Defendeu um dos executivos da Camargo Corrêa: Eduardo Leite. Por tudo o que subscreveu, disse e fez, Mariz será uma nomeação dura de roer se for confirmada por Temer.

Mariz esteve com Temer há quatro dias. Estava acompanhado do secretário de Segurança de São Paulo, Alexandre de Moraes. Também amigo de Temer, Moraes está cotado para o posto de Advogado-Geral da União. Já atuou como advogado de Eduardo Cunha, o notório deputado que acumula as condições de réu e de presidente da Câmara.

Dono da Engevix delata Temer, Renan, Erenice e propina para campanha de Dilma José Antunes Sobrinho, preso desde setembro, resolveu entregar à Lava Jato tudo – ou grande parte – do que sabe

TEMPO

Dono da Engevix delata Temer, Renan, Erenice e propina para campanha de Dilma

José Antunes Sobrinho, preso desde setembro, resolveu entregar à Lava Jato tudo – ou grande parte – do que sabe

DANIEL HAIDAR, ANA CLARA COSTA E DIEGO ESCOSTEGUY
21/04/2016 – 21h20 – Atualizado 21/04/2016 22h24

>> Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA desta semana:

O engenheiro José Antunes Sobrinho, de 63 anos, prosperou nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele é um dos donos da Engevix, empreiteira que ascendeu a partir de 2003, por meio de contratos, financiamentos e empréstimos obtidos com estatais e bancos públicos. A empresa valia R$ 141 milhões em 2004. Dez anos depois, faturava R$ 3,3 bilhões. O modelo de negócios de Antunes era simples e eficiente, adaptado ao capitalismo de Estado promovido pelos governos petistas. Consistia em corromper quem detivesse a caneta capaz de liberar dinheiro público à empresa dele. Ou, se esse estratagema não fosse suficiente, corromper os chefes políticos e amigos influentes daqueles que detivessem as canetas. Antunes e seus sócios pagavam propina, portanto, para conseguir o acesso ao dinheiro público barato que, por sua vez, permitiria à Engevix conseguir, mediante mais propina, os grandes contratos públicos de serviços e obras, em estatais como Petrobras, Eletronuclear, Furnas, Infraero e Belo Monte.

Antunes era bom no que fazia, conforme atestam os números da Engevix. Talvez bom demais. A exemplo de outros empreiteiros que seguiam o mesmo modelo de negócios, foi preso na Operação Lava Jato. Tornou-se acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e, entre outros crimes, de participar do cartel de empreiteiras que, associado em especial aos políticos do PT e do PMDB, destruiu a Petrobras e devastou outras estatais durante os governos Lula e Dilma. Preso desde setembro em Curitiba, Antunes resolveu entregar aos procuradores da Lava Jato tudo – ou grande parte – do que sabe. As negociações, que estão em estágio avançado, passaram a envolver recentemente a equipe do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Muitos dos crimes admitidos por Antunes envolvem, direta ou indiretamente, políticos com foro privilegiado – aqueles que, muitas vezes, são os donos de fato de quem move as canetas nas estatais.

ÉPOCA obteve acesso, na íntegra e com exclusividade, à última proposta de delação entregue pelos advogados de Antunes aos procuradores. São 30 anexos, cada um deles com fatos, pessoas e crimes distintos.

Capa edição 932 (Foto: Rodrigo Félix Leal / Futura Press)

No documento e em conversas com procuradores da República, Antunes disse ter pago propina a operadores que falavam em nome do vice-presidente da República, Michel Temer, e do presidente do Senado, Renan Calheiros, ambos do PMDB. Segundo ele, nos governos petistas, os dois patrocinaram a nomeação de afilhados políticos em estatais como Petrobras e Eletronuclear. Antunes também afirmou ter pago milhões em propina ao caixa clandestino do PT, em razão de vantagens indevidas obtidas pela Engevix na Caixa, no fundo de pensão do banco, a Funcef, em Belo Monte, na Petrobras e no Banco do Nordeste. Ainda de acordo com Antunes, o PT, em especial por meio de José Dirceu e João Vaccari, ambos presos na Lava Jato, também patrocinava afilhados políticos nesses órgãos públicos. Antunes disse que foi pressionado por Edinho Silva, então arrecadador de Dilma e hoje ministro no Planalto, a financiar a campanha da presidente em 2014.

Antunes e boa parte dos principais delatores da Lava Jato afirmam que esse modelo de negócios só era possível graças à maior das canetas: a do presidente da República. Sem ela, seja com Lula, seja com Dilma, nenhum desses afilhados políticos estariam nos postos para os quais foram despachados por PT e PMDB, os dois principais partidos da coalizão governista. Para manter boas relações com o Planalto, Antunes diz que pagou para ter a influência do advogado Carlos Araújo, ex-marido da presidente Dilma, conforme revelou ÉPOCA. Afirma que pagou, também, para a ex-ministra da Casa CivilErenice Guerra, que foi, até 2010, a principal assessora de Dilma. A seguir, alguns dos principais episódios narrados por Antunes. Se sua proposta de delação for aceita, o depoimento, somado a provas que Antunes promete apresentar, pode ser valioso para as investigações da Lava Jato.

>> Quanto custa um encontro com o ex-marido de Dilma

com Alana Rizzo, Aline Ribeiro, Thais Lazzeri e Vinicius Gorczeski

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>> Leia a reportagem em ÉPOCA desta semana

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>> Abaixo, os conteúdos que você vai encontrar na edição desta semana

DA REDAÇÃO

PERSONAGEM DA SEMANA
O presidente do Senado, Renan Calheiros, ganha poder com a sobrevivência de Dilma

A SEMANA EM NOTAS

A SEMANA EM FRASES

EXPRESSO
Temer prepara ofensiva para dizer que Dilma pôs programas sociais em risco

GUILHERME FIUZA
A cusparada progressista

SUA OPINIÃO

NOSSA OPINIÃO

INVESTIGAÇÃO
A delação premiada da Engevix

A Lava Jato descobre que a estatal Sete Brasil foi criada para ajudar na corrupção

Assessor do senador Delcídio do Amaral afirma que o governo tentou barrar a Lava Jato no STJ

ENTREVISTA
Carlos Fernando dos Santos Lima, procurador regional na força-tarefa da Lava Jato

TEATRO DA POLÍTICA
A corte que decidirá o impeachment

POLÍTICA EM PERFIL
Jair Bolsonaro, o deputado que faz uma caricatura de si mesmo

ENTREVISTA
Jairo Nicolau, cientista político

NOVA AGENDA
A pessoa que ocupar a Presidência do Brasil tem de adotar medidas de ajuste econômico com urgência

ENTREVISTA
Marcos Lisboa, presidente da universidade Insper

HELIO GUROVITZ
O vaticínio de um sábio sobre o impeachment

OBSERVADOR DA ACADEMIA
A patrulha contra Fernando Henrique Cardoso

AVIAÇÃO EM PERFIL
Uma exposição e um livro jogam luz sobre a obra e a vida de Santos Dumont

GUSTAVO CERBASI
Como fazer seu orçamento resistir à crise

BRUNO ASTUTO
Vivianne Pasmanter, há 25 anos à beira de um ataque de nervos

WALCYR CARRASCO
Truques do amor esperto

MENTE ABERTA
Vozes de Tchernóbil, o primeiro livro publicado no Brasil da vencedora do Nobel de literatura Svetlana Aleksiévitch

O nome onipresente nos documentários nacionais que se especializou em garimpar imagens que contam a história do Brasil

12 HORAS

RUTH DE AQUINO
Eduardo Cunha e a imagem do Brasil

Desvio de Caráter: apoiar Bolsonaro não é só “questão de opinião”

Desvio de Caráter: apoiar Bolsonaro não é só “questão de opinião”

“Liberdade de expressão” é um negócio complicado. Longe de mim dizer que o conceito é errado, afinal, é por causa dessa liberdade que estou escrevendo essas palavras e você as está lendo neste instante. É graças a este direito, conquistado através de muita luta, que podemos divergir de ideias dentro de uma democracia. É por isso que podemos ter diferentes opiniões e ainda assim conviver pacificamente, respeitando uns aos outros. Porém, mesmo para a tal da liberdade de expressão, existem limites.
Eu sei, chega a soar estúpido dizer isso, já que a antítese da liberdade é o limite, mas é só pensar um pouco a respeito e vai ver que faz sentido. Existe uma velha frase que diz que “o direito de um indivíduo termina onde começa o de outro”, e esta máxima se aplica na tal da liberdade de expressão. Na prática, isso significa que você pode se expressar como bem entender, contanto que não esteja ferindo o direito de outra pessoa de qualquer maneira, seja privando-a de se expressar, seja a ofendendo de alguma maneira. Em suma, significa que você ainda pode expressar o que bem entender, mas terá de arcar com as consequências de suas palavras, que podem ser passíveis de punição. É aí que cai a tal da falácia de que “ter opinião não é crime”. Deixa eu contar uma coisinha pra vocês: as vezes, é crime sim.
Pra isso é preciso entender um pouco melhor o que é ter uma opinião. Para isso, vamos recorrer ao nosso amigo Michaelis:

sf (lat opinione1 Maneira de opinar; modo de ver pessoal; parecer, voto emitido ou manifestado sobre certo assunto. 2 Asserção sem fundamento; presunção. 3 Conceito, reputação. 4 Juízo ou sentimento que se manifesta em assunto sujeito a deliberação. 5 Capricho, teimosia. O. pública, Sociol: juízo coletivo adotado e exteriorizado por um grupo ou, em sociedades diferenciadas e estratificadas, por diversos grupos ou camadas sociais.

Parece que, na teoria, qualquer tipo de expressão que eu emitir de meus pensamentos e da forma que eu vejo o mundo pode ser considerado uma opinião. Eu posso dizer que quem fala bolacha está correto e biscoito é errado, posso afirmar com veemência que basquete é melhor que futebol e que a animação de Digimon tem uma história bem mais construída que a de Pokémon. É normal. Você pode discordar de mim, eu posso discordar de você e ainda podemos conviver em paz. A liberdade de expressão é mágica, não é?
Mas aí caímos no tal do limite. Existem algumas “opiniões” que nada mais são que preconceitos disfarçados (ou não-tão-disfarçados), que literalmente atacam a existência de outras pessoas, diminuindo suas causas, suas lutas, suas vidas. É um verdadeiro crime contra a moral e o respeito. Pessoas que expressam essas opiniões são o atraso da sociedade, a essência do pensamento retrógrado que invalidam anos de progresso e de evolução. O pior é quando quem expressa esse tipo de atitude é uma figura pública, formadora de opiniões, influência de massas. É aí que mora o perigo. É aí que falamos sobre aquele senhor ali em cima que sinto muito ter lhe obrigado a ver numa foto tão grande — mas é melhor ir se acostumando, porque ainda teremos de falar muito sobre ele.

Se cobrir com lona é circo, se trancar a porta é hospício

No último domingo (17/04), presenciamos um verdadeiro show de horroresno Congresso Nacional. Num ato desvairado de pura loucura, a votação que deveria ser séria sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff mais se assemelhou a um quadro de stand-up doentio, uma esquete carregada de sarcasmo sem nenhuma piada sendo dita. Foi uma revelação sobre como trabalham os deputados que colocamos no poder (muito embora sejam menos de 15% os que realmente chegaram ali por votações diretas, mas isso é assunto para um outro texto em outro dia).
Wladimir Costa (Solidariedade) fez alarde com seu foguete de confetes. O que muita gente não sabe é que o deputado faltou em 105 das 125 sessões da Câmara em 2015. Ainda assim, está em seu quarto mandato — e com esse show, pode ter conquistado o quinto.
Foi lá que tivemos cenas deploráveis, como o “deputado dos confetes” (imagem), pessoas dedicando seus votos a familiares e afirmando seu louvor a Deus em suas decisões políticas (afinal, ações políticas movidas pela igreja deram super certo no século XI, não é?). A coisa parecia ficar cada vez mais vergonhosa com o passar das horas, chegando ao ponto de haver troca de saliva entre os deputados Jean Wyllys (PSOL) e Eduardo Bolsonaro (PSC). Apenas para acalmar suas mentes confusas, não houve contato labial para a troca de cuspes, embora isso talvez conferisse um maior fator de entretenimento para o desastre que tivemos de assistir.
Quase nada de bom saiu do circo do medo que fez do Congresso seu palco (exceto conhecer melhor a cara da nossa política e um jogo de tiro ao alvo muito bem ambientado), mas isso tudo é apenas a ponta do iceberg. Dentre todos os deputados que faltaram com decoro em suas participações, o pior deles não foi o tal do Eduardo Bolsonaro supracitado, mas sim o seu pai,
Jair Messias Bolsonaro. Ele é o fantasma do Congresso que nos enche de medo sobre o incerto futuro de uma política extremista.
Como me faltam palavras para descrever seu discurso de voto, vou apenas deixar abaixo exatamente o que foi dito para que tirem suas conclusões:

“Neste dia de glória para o povo brasileiro, tem um nome que entrará para a história nesta data, pela forma como conduziu os trabalhos da casa. Parabéns, presidente Eduardo Cunha. Perderam em 64, perderam agora em 2016. Pela família e pela inocência das crianças em sala de aula que o PT nunca teve (sic). Contra o comunismo, pela nossa liberdade, contra o Foro de São Paulo, pela memória do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff, pelo exército de Caxias, pelas Forças Armadas, por um Brasil acima de tudo e por Deus acima de todos, o meu voto é sim!”

Caso prefira assistir, o que não faltam é vídeos da cena. Agora vou lhe dar alguns segundos para se recompor e tomar um ar antes de prosseguirmos.
De todas as barbaridades ditas pelo deputado, algumas claramente frutos de uma mente paranoica e perturbada por uma ameaça comunista que não existe, resolvi enfatizar dois pontos. O primeiro é o ponto onde ele enaltece o presidente da Câmara dos Deputados por ser um dos principais nomes a dar início e prosseguimento no processo de impeachment, forçando-o através detodas as manobras possíveis. Neste ponto, temos de resgatar uma das frases mais icônicas do deputado Jair Messias Bolsonaro:

Bandido bom é bandido morto.”

Tudo bem, vamos por um instante aceitar que essa máxima defendida pelo deputado que acredita que violência se combate com violência seja apropriada, e que qualquer infrator da lei seja passível do título de “bandido”. Assim sendo, o que dizer do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já foidenunciado pelo procurador-geral Rodrigo Janot e delatado pelo empresário Fernando Baiano por sua participação na Lava-Jato, que negou à CPI da Petrobrás que possuía contas no exterior e escondendo seus bens na Suíça, que tem ao menos três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (21232984 e3056) referente a sonegação de impostos e falsificação de documentos, que já está na mira da procuradoria para receber a pena de 184 anos de prisão.
Com tantos dribles e manobras radicais, não sei quem sentiria mais orgulho de Eduardo Cunha: Francis Underwood(House of Cards) ou o skatista Tony Hawk.
Se a máxima do deputado for válida, não deveria Eduardo Cunha também sermorto? Ou, para Bolsonaro, o bandido só deve receber a pena máxima quando não servir aos seus propósitos? Ou então talvez o bandido só seja bandido quando não for da própria família, como é o caso do irmão de Jair, Renato Bolsonaro, exonerado por ser um funcionário fantasma e recebendo R$ 17 mil por mês. Outra possibilidade é que o deputado acredite que o único problema na vida do brasileira seja o bandido de rua, e não os milhões desviados e os crimes de corrupção passiva e ativa. Neste caso, fica difícil saber se é apenas falta de caráter ou pura ignorância.
Mas por incrível que pareça, o pior das afirmações de Bolsonaro nem foi a exaltação de Eduardo Cunha (eu sei, fica difícil de crer nisso depois dos parágrafos acima). Reparem no segundo nome que foi grifado no discurso de Jair. É agora que o assunto fica ainda mais nojento.

Quem foi Carlos Alberto Brilhante Ustra?

O coronel e ex-chefe do DOI-CODI II do II Exército entre 1970 e 1974, apelidado de Dr. Tiribiçá, foi uma das figuras mais assombrosas do período do regime militar brasileiro. Em 2008, ele foi o primeiro militar a ser reconhecido pela Justiça como torturador, não somente responsável por práticas diretas, mas pelo comando das ações que levariam ao fim da vida de mais de 60 pessoas, além de ter em seu histórico mais de 500 casos de tortura.
É nessa hora que as pessoas ficam eriçadas, afirmam que as tais vítimas não passavam de presos. Bom, você sabe o que era necessário ser feito para ser preso no período da Ditadura? Terliberdade de expressão. Se você hoje pode falar mal do governo e ofender quem você quiser no Palácio do Planalto, você deve esse direito aos que lutaram contra o regime militar. Naquela época, se você discordasse das atitudes dos fardados, seu destino podia ser bem pior do que a morte. Citando Evelyn Beatrice Hall, escritora da biografia de Voltaire, a máxima da luta pela liberdade de expressão é a de que “posso discordar do que você diz, mas lutarei até a morte pelo seu direito de continuar dizendo”.
Obviamente nem toda pessoa que foi parar nas garras de Ustra era apenas alguém que desejava a liberdade, existiam guerrilheiros ali, mas o próprio ato da tortura é impronunciável por si só. É desrespeitar a própria vida humana, descer nos confins da moralidade, trancar-se no porão e nem sequer acender a luz. É aceitar que não passamos de animais, e que os outros são ainda pior, são animais inferiores. É objetificar a vida.
Ustra cometeu algumas das maiores atrocidades da história brasileira. A Comissão Nacional da Verdade mantém registro das denúncias contra o coronel, dentre elas mesmo a tortura de crianças inocentes, as traumatizando pelo resto de suas vidas. Caso tenha estômago para ler, o que não faltam são relatos de vítimas das mãos do Dr. Tiribiçá. Confiram as fontes, não confiem em mim. Procurem no Google. Eu os encorajo a duvidar. Eu duvidei. Não queria acreditar que existem pessoas capazes de descer tanto. Me enganei.
Ustra faleceu em 15 de outubro de 2015, aos 83 anos, sem jamais sentar na cadeira do réu. Apesar das denúncias, da luta pela democracia e das feridas que jamais irão se fechar, o coronel conseguiu se blindar até seu último suspiro. É um dos maiores golpes que a Justiça já recebeu, deixar o povo saber que existem pessoas que conseguem sair impunes apesar de cada atrocidade que cometeram. E sabe qual é o pior? Existe gente estúpida o suficiente para glorificar um monstro dessesE para glorificar o monstro que glorifica um monstro desses.

Apoiando um criminoso

Nisso voltamos ao foco da nossa discussão, Jair Messias Bolsonaro. Ele é dono de “opiniões” (já falamos sobre isso) fortes e extremistas, que agradam um público específico que pode ser discernido em dois segmentos: gente retrógrada, que parou no tempo e não consegue aceitar que o mundo está mudando e a tolerância deve ser disseminada, e gente ignorante, que não entende exatamente as palavras do deputado, mas escuta um “precisa proteger o povo” e “em nome de Deus” aqui e ali e acha que ele é o futuro da nação. Ele não é o futuro. Ele é o passado.
A violência pregada por Bolsonaro não é apenas um mal, ele mesmo encarna a maldade. Abusou de sua imunidade parlamentar para atacar não a presidente, mas a mulher Dilma Rousseff, recorrendo a falácia do ad hominem. Por que ele mesmo não ressaltou o tal do motivo do impeachment, as pedaladas fiscais, ao invés de exaltar os fantasmas do passado? Será que ele mesmo reconhece que aquilo por si só não seria o suficiente para um impeachment não fosse os ataques de Eduardo Cunha?
Você vê que está no fundo do poço quando até Silas Malafaia está te criticando.
O fato é que Bolsonaro acabou por se colocar na posição de bandido ao se exaltar da maneira que fez. O artigo 287 do Código Penal afirma que é crime fazer apologia a ato criminoso ou autor de crime, e foi o ocorrido ao enaltecer Brilhante Ustra, um torturador. Os artigos 22 e 23 da Lei de Segurança Nacional também descrevem a criminalidade da propaganda e incitação à Ditadura. As palavras de Jair feriram a Constituição Federal, e isso faz dele um bandido. Será que bandido bom é bandido morto agora?
As ações do deputado levaram até mesmo a Ordem dos Advogados do Brasil a se pronunciarpedindo a cassação de seu cargo. A comoção popular fez com que a Procuradoria-Geral da República também se manifestasse. Ao menos algo de “bom” isso fez a Jair: agora ele pode se igualar a Ustra como um criminoso. Só podemos torcer para que não passe impune como o coronel.
Mas o que esperar desse tipo de pessoa, não é?
Isso tudo serve para mostrar qual é a verdadeira face de Jair Messias Bolsonaro e tentar levar um pouco de luz para os que, de forma inadvertidamente ignorante, o seguem achando que é o melhor para o país. Jair representa tudo de mal que temos em nossa sociedade, cada penamento retardatário e retrógrado preso no século passado e prejudica que possamos avançar de forma social. É um perpetrador de preconceitos, da pior espécie, que defende apenas os interesses das viúvas da Ditadura ou de pessoas tolas demais para entender que aquele período acabou por um motivo.
Defender Bolsonaro não é uma questão de opinião e nem ele nem você estão apenas praticando a liberdade de expressão. É desvio de caráter. É aceitar cada palavra dele como verdade, aceitar que a sociedade deve ser segregada, que a tortura deve ser praticada, que a vida não vale nada. Quando você o glorifica, você glorifica as ideias tortas que ele prega, você glorifica os ideais deturpados que ele acredita, você glorifica os monstros que ele martiriza. Quando você espalha a palavra dele, você faz parte do mal que divide nossa sociedade e causa milhares de mortes todos os anos.
Redigi esse texto pensando nas pessoas que eu vejo diariamente apoiando o deputado, e depois se blindando no “não termine amizades por causa de política”. Não as termino por causa de política, termino porque as tais amizades estão pisando nos direitos dos outros. Longe de mim fazer a tal da limpa na lista de amigos e ficar preso numa câmara de eco onde todo mundo pensa igual a mim. Gosto de debates políticos, gosto de ver novas opiniões. Mas este caso força meus limites. Por isso, eu preciso ter fé que as pessoas podem abrir os olhos, podem aprender. Se não for assim, só consigo ver uma névoa sombria em nosso futuro.
Se isso tudo não é o suficiente para te fazer entender porquê Jair Messias Bolsonaro é indefensável, eu sinto muito, mas não tenho nem o tempo e nem o giz de cera para explicar de uma forma ainda mais simples.