Brasileiro é reeleito para mais quatro anos na direção da OMC

Brasileiro é reeleito para mais quatro anos na direção da OMC

A reeleição de Roberto Azevêdo ocorre no momento em que Donald Trump avalia a possibilidade de adotar mecanismos de sanções contra parceiros comerciais

O brasileiro Roberto Azevêdo foi reeleito nesta terça-feira para mais quatro anos no comando da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A reeleição acontece no momento em que os questionamentos sobre os benefícios da globalização se proliferam e diante da ameaça de os Estados Unidos criarem regras alternativas ao comércio global. O governo Trump, por exemplo, avalia a possibilidade de adotar mecanismos de sanções contra parceiros comerciais, sem a consulta, intermediação ou autorização da OMC. Hoje, apenas os tribunais da entidade podem dar o sinal verde para que governos implementem penalidades, depois de juízes determinarem se as práticas adotadas violam ou não regras internacionais.

Em discurso às vésperas da sua reeleição, Azevêdo fez um alerta claro: caberá a cada um dos governos, embaixadores e diplomatas lutar pela sobrevivência do sistema multilateral diante da ameaça protecionista que paira sobre o mundo.

Pelo novo projeto americano, porém, a estrutura que centraliza na OMC julgamentos envolvendo o comércio internacional, criada em 1995, seria substituída por autoridades do próprio governo dos EUA, a quem caberia determinar as punições. Segundo o jornal Financial Times, a administração Trump já teria pedido a especialistas que formulem uma lista de instrumentos que poderiam ser usados na aplicação dessas multas, sem passar pela OMC.

Na prática, se os EUA considerarem que um produto brasileiro, por exemplo, afeta de forma injusta empresas dos EUA em seu mercado ou mesmo em terceiros mercados, poderia adotar sanções contra o País sem mediação da OMC.

A medida foi interpretada como um primeiro sinal concreto de que os americanos estariam abandonando a entidade e que poderiam adotar regras comerciais que, na avaliação de especialistas, violam as normas da OMC.

A posição americana deixou diplomatas e negociadores preocupados ontem em Genebra. Durante a campanha presidencial, Trump chegou a dizer que a OMC “é um desastre”, com membros de sua equipe alertando que a entidade “não funciona”. Representantes de alguns governos disseram ao Estado que, desde a eleição de Trump, vêm tentando conseguir dos EUA garantias de que os americanos estão “comprometidos” com a OMC. Mas a resposta tem sido “evasiva”.

Reeleição. O debate sobre a situação americana acabou sendo o centro da discussão sobre a reeleição de Azevedo. O brasileiro é candidato único para mais um mandato e o processo, que estava marcado para ocorrer entre fevereiro e maio, foi antecipado. Nesta segunda-feira, o diretor-geral da OMC foi alvo de questionamentos, por parte de alguns governos, com a sobrevivência do sistema no centro do debate.

O governo chinês, numa clara alusão aos EUA, questionou Azevêdo sobre o que pretendia fazer para se “contrapor ao aumento do protecionismo”. Em resposta, o brasileiro indicou que esse deve ser um “esforço comum” e pediu que delegações se manifestem contra barreiras.

O governo americano foi o próximo a falar, argumentando que medidas de defesa comercial não são atos protecionistas. Washington pediu para que Azevêdo fosse mais direto. O diretor-geral da OMC admitiu que todos os governos têm esse direito. Mas apontou que é sua aplicação que deve ser avaliada.

Ao tomar a palavra diante dos mais de 160 países para pedir o apoio de todos, Azevêdo foi contundente em reconhecer que a globalização está sendo questionada. “Precisamos pensar sobre como garantir que os benefícios do comércio cheguem a mais pessoas”, defendeu.

Pela Europa, EUA e diversos países, partidos políticos têm usado a globalização comercial como alvo de suas campanhas, prometendo rever acordos e mesmo abandonar algumas iniciativas. Azevêdo, sem citar Donald Trump, deixou claro que as ameaças existem. “O crescimento da economia global é baixo. O crescimento do comércio é baixo. As ameaças do protecionismo não podem ser ignoradas”, disse. “O multilateralismo enfrenta resistências e ainda lutamos contra os desafios persistentes da pobreza”, afirmou. “Muitos se sentem excluídos dos benefícios do comércio.” No entanto, Azevêdo alertou que não concorda com a análise de que o desemprego estrutural está ligado ao fluxo de comércio.

Azevêdo quer, nos próximos quatro anos, trabalhar para que o comércio seja “parte da solução” e não o responsável pelos problemas sociais. “Não há dúvidas de que vivemos um momento desafiador para o sistema multilateral do comércio.”

Mas, segundo Azevêdo, são nesses momentos que as regras internacionais ganham importância. “O valor dos acordos globais é evidente.” Segundo ele, as estruturas existentes hoje foram erguidas como “resposta direta às lições sangrentas da história”, numa referência à 2.ª Guerra Mundial. “Elas representam o melhor esforço do mundo para garantir que os erros do passado não sejam repetidos”, advertiu.

Diante desse cenário, segundo Azevêdo, a OMC “é mais importante do que nunca”. “Precisamos trabalhar para defender o sistema. Temos o papel de salvaguardar esse elemento-chave da governança global.”

(Com Estadão Conteúdo)

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Fantasia midiática

Fantasia midiática

por Mino Cartapublicado 27/02/2017 00h10, última modificação 23/02/2017 10h42
Como haveriam de enfrentar o Carnaval os sabujos propagandistas das redações? Com suas roupas e expressões usuais. Ainda assim, há quem possa vestir o fardão dos imortais
Fotoarena
Arlequim

Este jamais serviria à casa-grande: desprezava os patrões

Ando pela rua e dou com a capa da revista Exame exibida com destaque por uma banca de jornais. Leio a chamada, imponente: “O PIOR JÁ PASSOU”. Logo adiante, cartaz pendurado em um poste garante “Magia fundamental”, para o amor e coisas mais, “rápida e absoluta”. Talvez haja uma relação esotérica entre dois anúncios tão promissores.

Mortais comuns, que não se confundem com os magos da mídia nativa, alquimistas setecentescos ou fadas dos contos da carochinha, têm razões para entender o oposto: o pior ainda há de vir. Basta encarar a situação com um mínimo de isenção e recurso comedido aos neurônios, para perceber a inevitabilidade de um desfecho… aqui me detenho em busca do qualificativo.

Trágico? Violento? Espantoso? Acachapante? Ridículo? Só consigo imaginar o trabalho insano a que será obrigado um futuro governo democrático para pôr ordem na orgia golpista.

Quem sabe não seja suficiente um governo para consertar o monstruoso estrago provocado pelo desmando geral e irrestrito do estado de exceção em que fomos precipitados com a contribuição decisiva da mídia nativa. Esta até agora disposta a nos dizer no bom caminho. Crentes nas artes mágicas ou, simplesmente, hipócritas irresponsáveis, brasileiros indignos, os propagandistas midiáticos?

Na seção QI, o redator-chefe Nirlando Beirão conta com a costumeira elegância da escrita a decadência do circo tradicional, substituído pelos picadeiros da política, povoados por palhaços de diversos calibres, entre grotescos e malignos. Reservaria um papel de realce para a mídia nativa e os seus melhores intérpretes, envolvidos na pantomima que os torna porta-vozes do desgoverno.

Em tempo de Carnaval, pérola barroca da nossa vocação festeira mesmo em meio à desgraça, qual seria a fantasia aconselhável aos propagandistas midiáticos? Haverá quem sugira Arlequim, capaz de servir ao mesmo tempo a dois amos e de enganar meio mundo.

Errado: assim como é difícil, senão impossível, colher o adjetivo certo para qualificar o inevitável desfecho do espetáculo em curso, chega a ser impossível escolher a fantasia para tantos militantes de páginas impressas, microfones, vídeo.

Arlequim, vale esclarecer, é um campônio de Bergamo, norte da Itália, esperto e sagaz, aluno da vida atribulada. Há uma sinceridade profunda na sua atuação, uma espécie de rendição ao senso prático, sem contar o irredutível desdém pelos patrões, os primeiros a serem enganados por nosso herói. Não há como sugerir essa fantasia, bem como de qualquer outra proposta pelas personagens da Commedia dell’Arte. Figuras dotadas de extrema autenticidade, fiéis à sua índole e a seu destino.

Na origem do Carnaval era comum que as escolas de samba, sem que houvesse então um sambódromo, vestissem seu balé, de suntuosa pele negra, como cavalheiros e damas de uma corte do século XVIII, igual aos candidatos à guilhotina depois da Tomada da Bastilha.

Quando menino, recém-chegado ao Brasil, pareceu-me colher, ao folhear as páginas da cobertura carnavalesca da revista O Cruzeiro, algo assim como o deboche e a esperança da desforra. Illo tempore, sonhava com a Tomada da Casa-Grande.

Há seres humanos, ou tidos como tais, que dispensam a fantasia. Não me refiro, obviamente, aos cidadãos sábios, e sim àqueles fantasiados por natureza. Sinto-me à vontade ao incluir no rol os sabujos das redações, embora valha recordar que dois deles, se não me engano, podem sair com seu fardão dos imortais, inexcedível indumentária para um perfeito desempenho carnavalesco. 

Totalitarismo: 1984 – 2017

Totalitarismo: 1984 – 2017

por Nirlando Beirãopublicado 28/02/2017 00h07, última modificação 23/02/2017 11h30
Controle de pensamento, ódio fabricado, ignorância programada. A ficção encontra a nossa realidade
George Orwell

Para Orwell, o totalitarismo não tinha mapa, não tinha data

O Grande Irmão traz nos cartazes onipresentes o bigodão de Stalin. O Partido, guardião do “Ingsoc” (de inglês e socialismo), vigia corpos, corações e mentes. O adversário a ser odiado, o renegado Emmanuel Goldstein, traidor do Partido, com seu rosto “judaico, magro, com um pequeno cavanhaque” e a voz que lembra “o balido de uma ovelha”, é, obviamente, uma alusão a Leon Davidovich Bronstein, aliás, Trotski.

Os dissidentes são “vaporizados” em expurgos que não deixam traços nem memória. A única verdade é a que emana do poder – e ela pode, claro, ser o tempo todo corrigida e reescrita. A democracia é o regime que enfraquece o homem. A ciência só faz sentido se atuar em prol da dominação.

Ao publicar seu arrepiante 1984, no verão de 1949, George Orwell, nascido Eric Arthur Blair, facilitou a imediata analogia com o totalitarismo soviético e as primeiras leituras vieram a ressaltar, quando a Guerra Fria começava a ferver, o até certo ponto inesperado realinhamento ideológico de alguém que tanto se interessara antes pela sorte dos deserdados do capitalismo britânico (em A Caminho de Wigan, de 1937, por exemplo) e que chegara a empunhar armas ao lado dos militantes antifascistas na Guerra Civil Espanhola (Homage to Catalonia, de 1938). 

Nos poucos meses que teria, da publicação de 1984 até sua morte, em janeiro de 1950, Orwell dedicou-se a desfazer a impressão. Em carta endereçada a um dirigente sindical americano, afirmou que o romance “não foi concebido como um ataque ao socialismo ou ao Partido Trabalhista Britânico, do qual sou um entusiasta”.

As “perversões” mencionadas (expressão do autor) têm a ver tanto com o comunismo quanto com o fascismo. Leituras posteriores, como as de Christopher Hitchens, hermeneuta de Orwell, amaciaram a tese da desilusão ideológica. O totalitarismo que ele descreve, em sua versão mais tenebrosa, não está confinado a um mapa ou a uma história. Pode estar, aliás, hoje, agora, muito próximo de nós.

Big BrotherO venerando livro de Orwell disparou na lista de best sellers na Inglaterra, de dezembro de 2016 para cá. Com 1984, o público britânico sinaliza que o horror não tem data certa. Não é preciso muita imaginação para relacionar o boom nas vendas – e de leitura – à irrupção de Donald Trump na autoimposta figura de novo gendarme irritadiço do mundo e a vitória local, no Reino Unido, do movimento Brexit, que, ao decidir pelo afastamento em relação à Europa, proclama também uma ruptura com a tolerância, com o outro, com o diferente, com o exilado.

De fato, 1984 tem tudo a ver com 2017. O comunismo morreu (a não ser, claro, na imaginação paranoica de alguns fomentadores do ódio), mas a tentação autoritária persiste, aguça-se e triunfa com a adesão de uma classe média videotizada pela teletela da desinformação premeditada e agora propensa a estampar sua ignorância acachapante no gatilho violento das redes sociais. 

Também na seara onde florescem Sergio Moro e Alexandre de Moraes, irmãos siameses no cultivo coletivo do que Orwell chamava de “insânia controlada”, no submundo regido pelo incentivo às delações desde que seletivas, politicamente orientadas, na associação entre o exercício do poder e a repressão às liberdades individuais, de culto, de se expressar sexualmente, de viver ao sabor de suas próprias convicções – em tudo e por tudo a profecia orwelliana (com direito até a este sombrio neologismo) fincou raízes no mundo em que vivemos. Os ingleses, ao reabilitarem a obra, exercem uma sabedoria tristemente irônica.

1984 descreve uma sociedade de profunda carestia, de gim vagabundo, cigarro mata-rato e pão dormido, em que só é salvo o estrato superior da nomenklatura partidária. Não é que o Estado não tivesse capacidade de ampliar os horizontes da prosperidade.

Mas a fartura distribuída configuraria a destruição de uma sociedade que tem de ser organicamente hierárquica. A desigualdade – e o capitalismo de mercado está aí para reafirmar sem o menor pudor – é operacional.

“Num mundo em que todos trabalhassem pouco, tivessem bastante o que comer, morassem numa casa com banheiro e refrigerador, e possuíssem automóvel ou mesmo avião, desapareceria a mais flagrante e talvez mais importante forma de desigualdade. Generalizando-se, a riqueza não conferiria distinção.” 

Numa sociedade em que a riqueza fosse igualmente distribuída, o poder iria escapar das mãos da casta privilegiada. “Tal sociedade não poderia ser estável.” Pois “se o lazer e a segurança fossem por todos fruídos, a grande massa de seres humanos normalmente estupidificada pela miséria aprenderia a ler a aprenderia a pensar por si” e se voltaria contra a minoria privilegiada. “Uma sociedade hierárquica”, escreve Orwell, “só é possível na base da pobreza e da ignorância.” Ignorância é força – proclama o regime. O Brasil agradece a referência.

Entram aí em campo as ferramentas que sedimentam o status quo da opressão: a Novilíngua e a guerra permanente. A Novilíngua é o antídoto perfeito contra a crimideia, ou seja, a tentação, ainda que remota, nem sequer expressa em palavras, de pensar diferente da cartilha oficial.

1984
A primeira edição, de 1949, parecia carimbar o comunismo, e as sucessivas edições mostram que o pesadelo pode se instalar em qualquer lugar

O objetivo da Novilíngua não é apenas o de padronizar a linguagem; é o de subjugá-la ao seu limite ínfimo, de estreitar a gama de pensamento. A cada novo dicionário autorizado, mais vocábulos são expurgados. “No fim, tornaremos a crimideia literalmente impossível”, diz o redator do léxico. “Todo o mecanismo do pensamento será diferente. Com efeito, não haverá pensamento como hoje o entendemos. Ortodoxia quer dizer não pensar… não precisar pensar. Ortodoxia é inconsciência.”   

O aparato burocrático em sua integridade, com a Polícia do Pensamento à frente, está voltado, portanto, para o que em Novilíngua se chama crimedeter. É “a capacidade de deter, paralisar, como por instinto, qualquer pensamento perigoso”.

A vigilância vale para desde a mesma tenra infância. Às vezes, um involuntário espasmo nervoso pode denunciar o transgressor. “O crimedeter inclui o poder de não se perceberem analogias, de não conseguir observar erros de lógica, de se aborrecer ou se enojar por qualquer trem de pensamentos que possa tomar rumo herético.” Crimedeter – os justiceiros de Curitiba sabem muito bem o que Orwell está falando – significa promover a “estupidez protetora”. 

A realidade, portanto, é proscrita. “Fatos alternativos”, como os define o staff de Donald Trump, triunfam na era da pós-verdade. No universo orwelliano, a falsificação cotidiana é realizada pelo Ministério da Verdade (assim como o Ministério da Fartura promove a fome e o Ministério do Amor encarrega-se da tortura).

Só um lunático para acreditar que a verdade pode desmascarar a fraude, diz o torturador ao torturado. “Crês que a realidade é algo objetivo, externo, que existe de per si. Acreditas também que é evidente a natureza da realidade. Mas eu te digo, Winston, a realidade não é externa. A realidade só existe no espírito, e em nenhuma outra parte. Não na mente do indivíduo, que pode se enganar. Só na mente do Partido, que é coletivo, é imortal. O que quer que o Partido afirme que é verdade, é verdade.” 

Fogueira
‘Punir a heresia com uma fogueira só fez multiplicar os hereges’

Winston é o protagonista-vítima de 1984 e o torturador, O’Brien, é o colega de escritório com quem ele ingenuamente compartilhou sua malaise política e pessoal (e a inconfidência intolerável de manter uma amante também servidora do Partido).

Como traidor, delator e torturador, O’Brien expõe uma expertise sutil e uma inteligência cínica que nenhum Bolsonaro, nenhum Steve Bannon – o Darth Vader que assessora Donald Trump – haveriam de demonstrar. As didáticas palavras do torturador indicam que há lógica naquela loucura toda. A lógica exposta no lema – a liberdade é escravidão. O homem é, se não for subjugado, um bicho perigoso.

Todos os dias, o expediente da burocracia é interrompido e as teletelas orquestram, com a intensidade de futuras manifestações verde-amarelas, Os Dois Minutos de Ódio. Prenuncia o efeito selvagem do Twitter e das redes sociais.

Por toda a Oceania, pátria do Grande Irmão, a audiência se irmana num espetáculo descabelado de estupidez histérica. É preciso ter um inimigo à vista – os renegados da “Fraternidade” – e uma guerra em curso – contra a Lestásia ou a Eurásia, que se revezam nesse papel mesmo que tantos sejam os dissidentes e os impérios rivais sejam inimigos meramente fictícios. 

Com certa regularidade, bombas caem, de fato, nos territórios dos “proles” – os miseráveis desprovidos de qualquer identidade social. Atribuem-se os ataques aos infiéis de turbante – desculpem, aos impiedosos lestasiáticos (ou, se for o caso, aos eurasianos). Winston desconfia que esta é a enésima “verdade” convenientemente manufaturada. Guerra é paz, proclama o lema. A ameaça externa cimenta a paz interna. 

Estupidez Protetora
Moraes, Bannon, Moro, Trump, legionários do "crimedeter": promovendo a "estupidez protetora" (Mandel Ngan/AFP, Marcelo Camargo/ABr, Pedro de Oliveira/Alep e Nicholas Kamm/AFP)

O regime não teme os “proles”. Apenas os ignora. “Entregues a si mesmos, continuarão, de geração em geração e de século a século, trabalhando, procriando e morrendo, não apenas sem qualquer impulso de rebeldia, como sem capacidade de descobrir que o mundo poderia ser diferente do que é.” Tão desprezíveis são os “proles” que, se o regime lhes concedesse o estatuto antigo do sufrágio universal, eles certamente votariam num opressor limpinho e escanhoado concebido em algum reality show da teletela.

A Semana do Ódio está a caminho e, com o prometido desfile de hordas furibundas de bandeiras desfraldadas, haveria de propiciar um interessante know-how aos piqueniques irados e indigestos dos patos canarinhos de agora. Freud explica – Orwell, também: “A privação sexual provocava a histeria, desejada porque podia ser transformada em febre guerreira e adoração dos chefes. Todo esse negócio de marchar para cima e para baixo, dar vivas e agitar bandeirolas é sexo que azedou”. 

Abastecida a libido desviada, a Semana do Ódio robustece, desde Curitiba, perdão, à sombra da Polícia do Pensamento, a vigilância sobre os eventuais hereges – principalmente contra aqueles que nem sabem que hereges são, mas, quem sabe, poderiam vir a ser. A Polícia do Pensamento não busca fatos, provas – só convicções. As suas, naturalmente.

Uma palavra final do percuciente Orwell parece desvendar o método daqueles que fazem dos expurgos, das prisões, das perseguições, dos castigos, das denúncias gratificadas, dos interrogatórios, das torturas mentais e das condenações injustas seu estrepitoso meio de vida e seu espetáculo de autopromoção (“na Oceania não existe lei”, escreve Orwell. Daria para acrescentar o advérbio “também”). Vale a pena ouvir o que o vil, porém sincero O’Brien tem a dizer ao buscar a reeducação de Winston: 

“Não nos contentamos com a obediência negativa, nem mesmo com a mais abjeta submissão. Quando finalmente te renderes a nós, deverá ser por tua livre e espontânea vontade. Não destruiremos o herege porque nos resiste; enquanto nos resiste, nunca o destruímos. Convertemo-lo, capturamos-lhe a mente, damos-lhe nova força. Nele queimamos todo o mal e toda alucinação; trazemo-lo para o nosso lado, não em aparência, mas genuinamente, de corpo e alma. Tornamo-lo um dos nossos antes de matá-lo. Nem mesmo no instante da morte podemos admitir um desvio. No passado, o herege caminhava para a fogueira ainda herético, proclamando sua heresia, nela se gloriando”. 

A inquisição da Idade Média fracassou, observa o assecla do Grande Irmão. “Tinha por intuito erradicar a heresia e, por fim, só conseguiu perpetuá-la. Para cada herege queimado na fogueira surgiam milhares de outros.” Fica aqui o aviso. 

Rússia diz que relações com os EUA estão no pior momento desde a Guerra Fria

Rússia diz que relações com os EUA estão no pior momento desde a Guerra Fria

28/02/201708h42

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Moscou, 28 fev (EFE).- As relações entre Moscou e Washington estão em seu ponto mais baixo desde os tempos da Guerra Fria, afirmou nesta terça-feira o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, em uma mesa-redonda na Duma, a Câmara dos Deputados do parlamento russo.

“O estado atual dos vínculos entre Rússia e Estados Unidos, como todos entendemos, deixa muito a desejar. Não é um exagero dizer que nossas relações se encontram em seu ponto mais baixo de todo o período do pós-Guerra Fria”, disse o “número 2” da diplomacia russa, citado por veículos de imprensa locais.

Ryabkov explicou que o ex-presidente americano Barack Obama e seu entorno preferiram as tensões e, depois, apostaram no confronto com a Rússia muito antes da explosão da crise na Ucrânia.

“O ritmo da degradação total das relações (russo-americanos) se acelerou bruscamente depois do golpe de Estado em Kiev, há três anos. Na Casa Branca, optaram pelo confronto aberto”, acrescentou o vice-ministro.

Ryabkov, no entanto, manifestou sua esperança de que, com a chegada de Donald Trump à presidência dos EUA, será criada uma “janela de oportunidades” para melhorar a situação através do diálogo entre os dois países.

Ao mesmo tempo, o vice-ministro reiterou que este diálogo deve ser realizado em pé de igualdade, “sem tentativas de chantagem”.

“O novo presidente dos EUA teve que enfrentar logo de cara os ânimos anti-russos estabelecidos na elite de Washington”, disse Ryabkov em alusão às dificuldades do diálogo bilateral.

O vice-ministro russo acrescentou que os críticos de Trump “continuam incentivando a russofobia como um dos elementos centrais da enorme campanha de desprestígio do novo governo dos EUA”.

“É evidente que, em alguma medida, as perspectivas de melhora das relações bilaterais podem ser vítimas destes esforços mal-intencionados. Entendemos isso e trabalhamos para minimizar os possíveis danos”, disse Ryabkov.

Trump pronunciará hoje seu primeiro discurso no Congresso dos EUA, no qual apresentará seu programa de governo.

“Será muito importante analisar os sinais e enfoques deste primeiro discurso de Trump como líder de uma superpotência”, comentou o vice-ministro russo.

Vandim se abstém e diz que não é momento para elevar Planta de Valores

Vandim se abstém e diz que não é momento para elevar Planta de Valores

27 FEV 2017

10h02 atualizado às 07h42

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Foto: Ascom/Divulgação
Vereador Vandim, que disse ter compromisso “com o povo de falar a verdade e votar ao seu lado”

Mesmo na base do prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), o vereador Vandim da Cerâmica (PSDC) se absteve de votar na sessão que aprovou o reajuste da Planta de Valores que resultará no aumento de IPTU e ITBI em 2018. Empresário, o parlamentar avaliou que “não é o momento propício” para esse reajuste, mas que acredite na necessidade dessa revisão.

O vereador ainda ressaltou ter feito compromisso “com o povo de falar a verdade e votar ao seu lado”.

Vandim contou que, para tomar sua decisão, analisou o momento econômico do País e que procurou ser coerente com seu discurso de campanha, quando disse ao eleitorado que “votaria com a consciência tranquila”.

Ele disse ter votado a favor de emendas ao Orçamento que beneficiam o setor industrial e a educação, e lembrou ter apresentado emendas solicitando a construção de Cmei no São João e Escolas nos setores Morada do Sol e Sonia Regina. (Com informações da Ascom)

Milton Neris solicitará na Justiça anulação da sessão que reajustou a Planta de Valores Genéricos de Palmas

Milton Neris solicitará na Justiça anulação da sessão que reajustou a Planta de Valores Genéricos de Palmas

O vereador citou a pesquisa da Fecomércio a qual divulgou que a população está com 50% de sua renda comprometida com dívidas

Milton Neris solicitará na Justiça anulação da sessão que reajustou a Planta de Valores Genéricos de Palmas

Em sessão extraordinária na Câmara de Palmas com duração de mais de 5 horas, na noite desta quinta-feira, 23, o vereador Milton Neris solicitou em tribuna que a votação sobre a Planta de Valores Genéricos de Palmas fosse adiada para que a população pudesse participar, porém, não obteve sucesso.

O assunto foi pautado arbitrariamente pelo presidente da Casa Folha Filho que não respeitou o prazo regimental do pedido de vistas do parecer sobre emendas apresentadas por Milton Neris que sugeria texto diferente do enviado pelo executivo.

‟Venho a esta tribuna triste, porque o prefeito junto com o presidente Folha está atropelando o regimento. Só nos resta ir à Justiça, MPE, TCE, OAB e vamos fazer isso. Mas esse episódio não sairá da mente do contribuinte de palmas. Em três mandatos nesta Casa nunca vi as comissões serem atropeladas. No retorno do Carnaval a população vai descobrir a manobra realizada que onde discutiu-se projetos de relevância pro palmense, como o aumento do ITBI e IPTU”.

O vereador citou a pesquisa da Fecomércio a qual divulgou que a população está com 50% de sua renda comprometida com dívidas o que destoa totalmente das decisões geradas pela Casa com a aprovação do projeto.